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Feios, porcos e maus (Brutti, sporchi e cattivi)



O retrato da miséria humana, vista através da câmara de Ettore Scola, é o mote para estes ? Feios, porcos e maus?. Às portas de uma das mais abastadas capitais europeias ? Roma ? a pobreza extrema é o lado oculto desse postal colorido que nos é vendido. A vida num desses bairros da lata, e de uma família em particular, é acompanhada com um realismo chocante que mostra essa outra faceta da grande cidade. Marginalizados e com leis próprias que se afastam de todas as normas civilizacionais dos seus vizinhos, os ?habitantes do lixo? construíram o seu próprio ?ghetto? das sobras e da indiferença da sociedade. Vivendo como as primitivas tribos, com noções éticas deficientes e inocentemente rudes, estes ?indígenas? dão-nos uma nova visão do conceito de família. Filhos, pais, avós, amantes, penduras, motas e ratos, inventavam espaço na pequena barraca em que viviam.
O pai (Nino Manfredi) é um homem que vazou um olho como subterfúgio para receber uma indemnização do seguro. Desde então as suas preocupações acresceram uma vez que os outros, que por mero acaso eram seus familiares, almejaram pequenos empréstimos do seu milhão de liras. Passou a dormir com a espingarda à mão e com o olho-vivo desperto para caçar quem se aproximasse do seu tesouro. Uma série de acontecimentos surreais descrevem o dia-a-dia desta família e deste bairro. Episódios demasiado bizarros, na forma áspera como são catapultados para o ecrã, dividem-nos entre a náusea e o riso. Os protagonistas são feios como a miséria e convincentes nas suas ambições conformadas e parcas. Estão nos antípodas do herói tradicional, aquele que com as suas virtudes quer triunfar. Aqui não há espaço nem para o sonho nem para a esperança e as virtudes das personagens aleijam a nossa sensibilidade.
Cresce a tensão e a revolta da família em relação ao pai. O homicídio parece ser o meio encontrado de recuperarem o dinheiro que ele começava a esbanjar em presentes com a nova amante, um prostituta adiposa. Um almoço de reconciliação é o pretexto para pôr em marcha o plano. Ele sobrevive a um prato de macarrão com raticida e a família continua (des)unida como sempre.

O filme consegue a difícil proeza de nos arrancar gargalhadas da indigência que testemunhamos, sendo este o grande mérito de uma obra que nunca se assume como comédia. É impossível resistir à ironia de Ettore Scola que, através desta descrição com cariz de critica social, espelha com autenticidade o aspecto feio, porco e mau da pobreza nua e crua.


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