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Filmologia



I ? Fundamentos arqueológicos do cinema As ideias pré-cinematográficas de movimento

O primeiro cinema foi contagiado pela ideia de que seria um ?parente pobre? das grandes artes, que eram no séc. XIX, a pintura, a literatura, o teatro ? daí resulta uma má convivência, por parte do cinema, com a ideia tradicional de arte. O início do séc. XX, mais precisamente em 1907, o cinema autonomiza-se dessa ideia generalizada, em grande parte devido ao efeito que as máquinas de que dispõe, produzem. Com o cinema, há uma mobilização do olhar e a relação com as coisas deixa de ser meramente narrativa. O olhar enfatiza-se, na medida em que, o cinema agora emergente não visa representar mas sim maximizar a percepção, provocando uma traumatização do olhar e não só uma mobilização do mesmo. O cinema passa a ter por base uma percepção traumática e não dramática.
O cinema rege-se por regras de representação em perspectiva que criam um efeito de abstracção ? surge então o problema: como pode o cinema criar a ilusão de realismo se há um efeito de abstracção que lhe é intrínseco? Duas faces da questão que tentam resolverem este paradoxo: No cinema, a representação tem como principal função dramatizar o real, na medida em que, impões uma legibilidade, uma leitura desse real, nunca confundido com uma representação da realidade; Com a anamorfose (transformação da óptica), o cinema prova que as mesmas leis que regem a pintura de uma imagem de forma a encerrar o real, servem igualmente para ultrapassar esse real, distorcendo-o, de forma a torná-lo irreconhecível, ou seja, o cinema provoca assim uma traumaturgia do real. O cinema vive e convive com estas duas faces em simultâneo: por um lado, tem consciente da possibilidade de construir uma impressão da realidade, mediante a perspectiva, por outro, destruir essa impressão através da montagem. Há, pois, uma consciência automática de dupla pertença: Perspectiva cultural, narrativa e histórica da vida e Perspectiva fisiológica da vida ( brutalidade do cinema ? fere os sentidos, nomeadamente o da visão, ao dar a ver tudo o que a câmara é capaz de alcançar). Essa dupla pertença será ultrapassado com o cinema dos irmãos Lumiére : os espectadores desse cinema pioneiro, vão ao cinematógrafo ver, somente, imagens a mexer. Também daí vem a primeira explicação para o sucesso do cinema, visto que ele permite ver algo radicalmente diferente ao que então era visto. O olhar do espectador era captado através do movimento imprimido pelo dispositivo cinematográfico, pela câmara, que se autonomiza, de uma vez por todas, da representação narrativa e dos padrões de interpretação vigorantes. Tem apenas a ver com a mobilidade que o olhar atinge e que o sensibiliza. O cinema dos irmãos Lumiére opera uma ruptura entre a dimensão cultural e a dimensão fisiológica, que ainda hoje se mantém. Há uma rápida consciencialização de que o cinema cria um movimento que lhe é próprio e específico, através da conquista da independência incontornável do movimento. Nasce a necessidade de autonomizar o movimento da representação ? daí dizer-se que a criação cinematográfica é um cinematismo.


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