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Ensina-me a viver (Harold and Maude)



" Ensina-me a viver" é uma cativante lição de vida, narrada com a alegria bizarra de uma comédia negra. Harold é um jovem de vinte anos que tem uma paixão macabra pela morte e todas as suas formas de manifestação. Diverte-se fingindo suicídios cujas encenações não conseguem atrair a atenção de uma mãe distante (mas, simultaneamente, demasiado interventiva na sua vida, substituindo-o constantemente na apreciação das suas necessidades). Gosta de assistir a funerais bem como a outras formas terminais de destruição, como a demolição de prédios. Para carro pessoal compra um veículo funerário...Todo o seu comportamento é um reflexo fiel da sua personalidade melancólica, obcecada com uma vontade doentia de conviver de perto com a morte. A mãe de Harold é uma personagem irreal e incrivelmente divertida na maneira de lidar com as sucessivas mortes virtuais do filho. A cena de abertura é hilariante, quando ela entra na sala e, com uma indiferença perturbadora, ignora o filho que jazia suspenso no ar, enforcado, fazendo o seu telefonema sem alterar a postura. Ela já conhecia a arte do filho, mas nós não, era o nosso primeiro encontro e todo aquele ritual de preparação do suicídio parecia-nos demasiado real, para ser interrompido assim, tão levianamente. Ignorá-lo era a atitude mais frequente da mãe que, contudo, não declinava à sua apetência de se imiscuir na vida dele. Primeiro, chega à conclusão de que Harold necessitava de auxílio psiquiatra; depois entende que estava na altura de modificar certos comportamentos (arranjar uma noiva através de uma empresa especializada nesse tipo de eventos; substituir o automóvel; procurar a ajuda do tio, sargento do exército, para o encaminhar na vida militar...). No psiquiatra, Harold deita-se no divã como um morto no seu caixão, a ouvir as palavras inconsequentes do especialista. As candidatas a noiva foram sucessivamente "eliminadas" depois de assistirem às exibições macabras de Harold para as conquistar (a primeira assiste, histérica, à incineração de Harold; a segunda testemunha a amputação de uma mão com um cutelo; a terceira é espectadora de um haraquiri). O Jaguar desportivo que a mãe lhe ofereceu para substituir o carro fúnebre, rapidamente se converteu num desportivo Jaguar lúgubre. A solução da carreira militar ficou comprometida após a encenação com a cúmplice, Maude, de uma peça em que ele demonstrava perante o tio todo o seu desejo entusiasta de combater para poder dar largas à sua veia de carrasco inquisitorial. O tio assustou-se com tanta dedicação. Mas, falta falar de Maude...
Maude é uma velha senhora de 79 anos que, ao contrário de Harold, nutria uma paixão sem limites pela vida. As suas histórias cruzaram-se durante uma das cerimónias fúnebres que os dois frequentavam assiduamente, embora por motivos diferentes. Para Maude, o ciclo da vida para se completar necessitava dessa derradeira etapa que era a morte. Uma vida vivida na sua plenitude não podia temer esse último repouso. Para ela, a morte era encarada com a alegria natural de quem já gozou o máximo. É esta alegria que ela vai transmitir a Harold, o desejo de viver, de ganhar asas e aproveitar a curta passagem por este mundo... Estas duas excêntricas personagens vão acabar por cimentar uma forte amizade. Maude ensina a Harold a ver a vida através dos seus olhos apaixonados e ele acaba por descobrir que a amava (à vida e a Maude). Descobre que encontrara a noiva que tanto procurara e decide enfrentar os comentários inflamados da mãe, do tio militar, do padre e do psiquiatra que, com as suas teorias Freudianas, tentava explicar as razões de tamanha aberração. No dia em que completava 80 anos, Maude decide concretizar o que um dia se propusera: a vida tem beleza enquanto há energia para desfrutá-la; 80 anos era uma bonita idade para completar em glória esta aventura. Tomou comprimidos suficientes para não voltar a acordar e partiu... Harold guia o carro descontrolado em direcção a um precipício. Um carro num mergulho mortal caicom estrondo pelas encostas escarpadas. Lá em cima uma silhueta toma forma até vermos Harold que, pela última vez, simulou um suicídio. Ele abandona a cena a tocar o banjo que Maude lhe dera.
Filme de 1972, realizado por Hal Ashby, que conta com a música de Cart Stevens para reforçar o espírito da obra. Deixe-se encantar, rir e comover com este ensinamento. Depois de ver este filme vai ver que a vida lhe vai pesar menos...


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