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A TROPA É DE ?ELITE?, MAS O ESTADO É DE MORTE E EXCLUSÃO



A TROPA É DE ?ELITE?, MAS O ESTADO É DE MORTE E EXCLUSÃO. O filme Tropa de Elite, dirigido por José Padilha nos provoca sobre a discussão de vários temas que estão relacionados com as políticas de segurança pública no Brasil como: a estrutura da segurança pública no país, o Estado paralelo criado pelo tráfico, a corrupção de setores da polícia, a formação do policial e respectivamente a mudança do seu ?ethos? de gente comum para policial, os danos emocionais causados pela ação da policia no cidadão e no próprio policial e a descriminalização das drogas, entre outros. Padilha constrói uma narrativa de ficção, onde fatos e cenários foram reescritos em parte ou no seu todo. Todos os lugares e pessoas têm nomes fictícios, para que suas identidades fossem preservadas. O Capitão Nascimento protagonista da trama é o resultado de vários relatos feitos por policiais do próprio BOPE ao diretor José Padilha. O filme notabilizou-se por ser o primeiro longa metragem brasileiro pirateado antes da estréia. Transformou-se em sucesso de vendas nas bancas de camelôs em todo o Brasil e isso, quer queira, quer não, acabou contribuindo para que o filme virasse um fetiche na sociedade. A conversa do momento é, e tem sido a Tropa de Elite. Em recente participação no programa Roda Viva da TV Cultura (09/10/2007) Padilha afirmou que: O filme não pretende transformar policial, nem bandidos em heróis. Tropa de Elite apresenta um relato a partir do olhar dos policiais que atuavam no BOPE na época em que os depoimentos foram colhidos. O filme é um relato e abre a discussão sobre o problema da segurança pública no país. O filme tem causado muita discussão e algumas polêmicas como a acusação de fascismo que alguns órgãos da impressa e partidos de ultra esquerda fizeram ao diretor e produtores da película. Sobre essa questão, Padilha (09/10/2007), responde: Retratamos uma realidade que é vivida nos morros do Rio de Janeiro, onde a polícia corrupta negocia a ?paz? com os traficantes em troca de dinheiro e o BOPE (que na época ainda não existia nenhum caso de corrupção) entra matando e criando o terror na favela. Isso é fato. Taxar essa produção como fascista é tentar negar a realidade. Isso é uma questão de direitos humanos. Tropa de Elite nos apresenta um Estado que é cada vez mais ausente na oferta de política pública e eficaz na repressão e isso contrasta com a afirmação de Silva (2005, p.03): O Estado mínimo (como prega o neoliberalismo) deve estar presente apenas em bairros com poder aquisitivo maior, nos lugares de muita pobreza não temos direito a nenhum tipo de Estado, nem liberal, social democrata, socialista, anarquista, comunista, nada, é barbárie mesmo. Saber que teremos mortes por brigas de grupos envolvidos com o tráfico, mortes por falta de atendimento médico, mortes por fome, é viver num lugar inacreditável, uma utopia às avessas. Espinheira (2004, p. 26) colabora com essa posição de ausência do Estado quando salienta que: Comparando os dados do IBGE e da Secretária de Segurança Pública da Bahia, o Jornalista (José Castro, A TARDE, 10/04/ 2002) exibe a distribuição do policiamento na cidade. Enquanto nos bairros ricos e de classes média há um policial militar para grupo de 175 habitantes, no subúrbio esta proporção é de um PM para 1.045 habitantes. Em termos de veículos, enquanto para o primeiro caso se tem uma viatura policial para grupo de 7.250 habitantes, no segundo, é de uma para grupo de 93 mil habitantes Quem mora na periferia convive cotidianamente com esse universo de fatos que torna essa localidade um espaço propício para o desenvolvimento de vários tipos de crimes. Sabemos que nos bairros populares, a maioria das pessoas são honestas, idôneas e lutam bravamente para manter suas famílias e seus sonhos. A violência se instaura na periferia, não apenas por questões geográficas, mas por conta da nulidade da ação do Estado como Espinheira (2004, p. 26) argumenta: À medida que os dados vão sendo refinados, a violência deixa de ser vista como resultante de comportamentos desviados ou de ? maldade? das pessoas, para se configurar como uma condição de vida de, forma de estar-no-mundo, estilo de vida em permanente tensão e isso, em grande parte, se deve à omissão,ou mais completa ausência do Estado, ou ainda, o que é mais grave, o crime perpetrado pelo Estado no morticínio cotidiano que faz com que a polícia seja temida pela maioria dos moradores, que a sente como uma ameaça e é vista como ineficaz. Assim, desmistificada, a violência é uma construção política e politicamente se expressa na representação das desigualdades sociais e diferenças culturais, tendo o cenário urbano a configuração de sua arquitetura e de sua estética. A violência do Estado se manifesta na forma precária de atendimento à saúde, à educação, ao lazer e, evidentemente, à segurança pública. São serviços precários e humilhantes; filas e senhas raras, muitas vezes apropriadas por ?cambistas? que cobram pelo seu fornecimento a pessoas desesperadas em seus sofrimentos. Diante de tão trágica narrativa, o filme Tropa de Elite nos mostra a violência praticada por policiais e traficantes que aterrorizam as pessoas de ?bem? que moram no meio de um conflito e são reféns dessa realidade que é negligenciada pelos poderes públicos.


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