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A Escolarização da Leitura Literária



O livro A Escolarização da LeituraLiterária: O jogo do livro infantil e juvenil, é inaugurado por MagdaSoares com o texto A Escolarização da Leitura Literária, que explica arelação entre a escolarização e a literatura. Para ela os termos ?literaturaescolarizada? e ?literatização escolar? se constituem pelo didatismo,pedagogização e escolarização inadequada dados às obras literárias dentro doambiente escolar, bem como pela visão de que a literatura, sobretudo a infantile juvenil, é apenas mais um objeto do ensino pedagógico, necessário a ele e aoseu público. Magda coloca, ainda, que o termo escolarização geralmente temsentido depreciativo, o que acredita que não deveria ocorrer, já que não hácomo desvincular a escolarização da escola, pois ela faz parte da essência doprocesso escolar, assim, não há também como evitar ou criticar negativamente aescolarização da literatura; pode-se sim é criticar e negar a inadequadaescolarização dada à arte literária, o que gera a perda de seu valor. Magdaapresenta diferentes estratégias de escolarização e conclui que se faznecessário encontrar uma maneira apropriada de se trabalhar o tema.No capítulo Literatura e Escola: Anti-Lições,Ivete Lara reforça as idéias de Magda e lança um questionamento sobre o papel daescola na formação do leitor, pois compreende que apesar de tudo isso ocorrerna escola, não é ela que mata a literatura, mas sim o excesso de regras ecastração da liberdade do pensar. Explica que não se deve temer a escola e omodo que ela se utiliza da arte literária, se deve é conhecer seus métodos paraque não se produzam leitores manipulados ou não críticos.Leitura e Saber ou a Literatura Juvenil entre ciênciae ficção é o título do terceirocapítulo elaborado por Anne-Marie Chartier. Ela explica que não é viável julgara leitura literária só como objeto de prazer e a leitura informativa, comoúnica fonte de conhecimento, já que a busca pelas inferências pessoais seaplica no momento de uma leitura e de outra. Diz ainda que a leitura literáriadifere da informativa, pois aquela exige conhecimento de mundo, de língua e deoutros textos conhecidos pelo leitor, repertório este que acaba sofrendomodificações em virtude da pluralidade e ambigüidade contidas no textoliterário. O resultado é a obtenção de um conhecimento diferente doinformativo, que é conteudista. Graça Paulino, no fim da primeira parte, mostra comoas pessoas pressupõem ser a literatura essencialmente onírica e o textoinformativo condutor do conhecimento de mundo, o que ela combate afirmando queo conhecimento nunca se encontra pronto em um texto, mas sim na interação,afinal ler e conhecer é um processo.Na segunda parte do livro, o texto Leitura ePolítica, de Luiz Percival Britto, reitera a idéia de Graça Paulino aoafirmar que o processo se faz pelo conhecimento individual e social. Explicaainda que é necessário que se façam relações do que já é conhecido com o que sevem a conhecer, pois é desta união que se constroem as ideologias e osdiscursos. Assim, Percival afirma que a leitura é um ato de posicionamentopolítico e que é preciso estar atento para que não se creia que tudo que se lêseja uma verdade única, já que em toda leitura há subjacente uma ideologia, umdesejo de poder e de dominação.No texto Sobre algumas condições da leitura: nanaturalidade do significante ao conhecimento de intenções, Hugo Mariexplica que o ato da leitura implica em algumas condições ao leitor. Uma dasprimeiras é o (re)conhecimento das formas e relações dos significantes, junto aoutros três fatores fundamentais: o conhecimento dos fatos, das convenções edas intenções. Outra condição é a de se saber ler para conhecer, a qual se devepensar no mundo vivido e no mundo possível, onde no primeiro lançamos mão dareferência e no segundo da referência e da interpretação. Dentre as condiçõesuma se destaca: a intenção. Esta, quando observada intimamente, revela que nemsempre tudo que queremos dizer é proferido através dos discursos. Quem elaborao seu falar conhece sua intenção e seu objetivo, contudo quem recebe o discursonem sempre desvela isto, o que pode gerar uma interpretação errônea ou mesmouma não interpretação, a isso ele chama princípio da expressabilidade.Yara Liberato, no texto Perguntas de ?compreensão?e ?interpretação? e o aprendizado da leitura, pactua com o pensamento deGraça Paulino, pois crê que a leitura se dá pela interação entre o texto e oleitor, e defende que o texto deve ter uma legibilidade que permita ao leitorusufruir dele ao máximo, através do uso de seu conhecimento prévio. Yara dizainda que para se compreender um texto é preciso encontrar o seu sentido, este,porém, não está pronto no texto, o leitor deve construí-lo.A última parte do livro apresenta três textos, dentreeles o de Vera Teixeira de Aguiar, Leitura literária e escola, quediscute uma outra condição do processo de leitura: a posição dominadora daescrita nas sociedades letradas. Vera se apóia em David Olson que desmistificaeste domínio dizendo que certamente a escrita tem grande importância para o serestar no mundo, contudo defende que não só através dela é que se deve ter umaposição melhor no meio social. Para ele a leitura de mundo, independe daescrita, as inferências que os seres fazem de situações reais, buscam ointelecto e não um sinal gráfico. Vera mostra também que tal pensamento fazbuscar os ensinamentos da sociologia da leitura e da estética da recepção, asquais colocam o leitor como protagonista do processo de leitura, incluindo-o enão o marginalizando. Por fim, o livro propõe uma reflexão individualizadae coletiva a todos os envolvidos acerca da leitura literária e da formação deleitores.


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