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Crítica Genética: uma introdução



Segundo Cecília Salles de Almeida, a Crítica Genética nasce da constatação de que uma obra literária é resultado de um trabalho que passa por transformações progressivas. A obra surge a partir de investimento de tempo, dedicação e disciplina por parte do escritor, entretanto, passa por um processo de correções, pesquisas, esboços que causam a impressão de que nasce pronta. O interesse da Crítica Genética está voltado para o processo criativo artístico. Trata-se de uma investigação que indaga a obra de arte a partir de sua fabricação, a partir de sua gênese. Como é criada uma obra? Essa é sua grande questão. O objetivo da Crítica genética é responder a essa pergunta através da análise de documentos vindos da própria mão do autor, não passando por processo de publicação. Pretende, assim, compreender os mecanismos da produção, elucidar os caminhos seguidos pelo escritor e entender o nascimento da obra, ou seja: investiga a gênese da obra literária. O objeto de estudo da Crítica Genética é o caminho percorrido pelo artista para chegar à obra. É o estudo do processo criativo literário a partir das marcas deixadas pelo escritor ao longo desse caminho. Outras áreas, como a filologia, por exemplo, vêm estudando o manuscrito literário, mas o que diferencia a Crítica Genética é seu interesse centralizado na compreensão do processo de criação artística. Segundo Salles, o pesquisador move-se sobre as ?pegadas? do escritor. Chama a atenção para o fato de que o geneticista lida com um objeto que é marcado por seu aspecto comunicacional de caráter intrapessoal Um diálogo interior conduzido pela própria mente: o que o escritor está dizendo a si mesmo e que, nesses casos, ele registra nos chamados suportes de escritura. São reflexões e discussões para tomadas de decisão. Esse caráter intrapessoal daria unicidade ao objeto, segundo a autora. Mas, ao mesmo tempo em que a objetividade e unicidade do material restabelecem a aura da obra de arte literária, desfaz uma mística difusa em que costuma ser envolvida, pois agora a criação está ali, em sua realidade diante do pesquisador. Com relação aos suportes materiais com que trabalha o geneticista, Salles diz que são os seguintes: 1. Depósitos de marcas dos impulsos iniciais, da memória bastante distante, ou, ainda da memória da própria gênese. Como exemplo teríamos cadernos de anotações, diários e correspondências; 2. Operações preliminares que se podem concretizar sob diferentes formas, como: roteiros, mapas, planos; 3. Instrumentos de trabalho redacional propriamente dito, como: esboços, primeiras redações e rascunhos; 4. Instrumentos de publicação que aparecem sob a forma de originais (ou, simplesmente, manuscrito, como os originais são chamados), datilografia e provas de impressão. Não é possível qualquer tipo de generalização quanto ao uso desses suportes nas pesquisas, pois há variações de um escritor para outro e de um processo para outro do mesmo escritor. Segundo Salles, é na relação entre o pesquisador e seu objeto de estudo que se pode falar da Crítica Genética como construção intelectual. O material de trabalho do pesquisador: ?é um dado material enquanto documento observado e é uma construção intelectual enquanto texto que foi constituído pelo próprio crítico.? Se vai além do prototexto para chegarmos na interpretação propriamente dita. Um empreendimento intelectual de caráter analítico que procura refletir a construção intelectual artística atualizada no manuscrito.O trabalho do geneticista está impregnado de seu modo de ver o mundo, pois o ponto de partida de todas as especulações é a percepção. Começa pelo prototexto, que é a elaboração crítica dos diferentes documentos que compõem os diversos momentos do processo criativo e não pode ser confundido com eles. As etapas do estabelecimento do prototexto são: 1. Constituir o dossiê integral dos manuscritos disponíveis da obra em questão, reunindo e autenticando todo o material; 2. Organizar o dossiê dos rascunhos e documentos de redação, obedecendo a uma finalidade ; 3. Especificar, datar e classificar cada fólio desse dossiê; 4. Decifrar e transcrever o dossiê. Essas etapas apresentam características diferentes em cada caso, conforme o estado em que se encontra cada manuscrito. O ideal é que o manuscrito apresente clareza suficiente para que não seja necessária a transcrição. Nesse caso, o pesquisador pode trabalhar diretamente com os originais. É necessário que se estabeleça um instrumento teórico para direcionar a análise do material. Nesse momento, o pesquisador poderá valer-se da prática interdisciplinar. Segundo Salles, a Crítica Genética ?já nasce com a necessidade do contato com outras ciências para que estas lhe forneçam um arcabouço teórico capacitado a propor explicações relativas ao processo criativo.? Pode-se associar a Crítica Genética com ciências como: psicanálise lacaniana, diferentes áreas da lingüística, análise do discurso, semiótica peirceana, etc.

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