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O Colapso da Modernização: da derrocada do socialismo de caserna à crise da economia mundial



No livro de Robert Kurz: O Colapso da Modernização: Da derrocada do socialismo de caserna á crise da economia mundial, percebe-se em primeira instância e ao pé da letra que o termo colapso significa a diminuição de poder da modernização ? ?Na modernização não se segue o trilho da "lei natural", mas se procura moldar, sobre o país, pela ideologia ou pela coação, uma certa política de mudança?. A obra trata do desmoronamento do socialismo que na obra é um socialismo de caserna, abordando além desse aspecto, a crise da economia mundial. Encontra-se na obra uma referência ao filme Titanic ? onde se diz que ?Os passageiros do navio querem ficar no convés, e que banda continue tocando?, pois o importante é que o espetáculo continue a existir, assim tem vivido a economia mundial conforme os dados que vamos encontrar no decorrer dessa leitura que aborda a derrocada da economia que conforme Robert Kurz, assim como o Titanic não terá um final feliz, se continuar nos parâmetros pelos quais está regida. Para o autor em estudo, a situação econômica mundial apresenta perspectivas negras para todos os países, sem exceção, caso o atual sistema continue pautado na economia de mercado e defendida pelos ideólogos do liberalismo. Segundo Kurz é errôneo acreditar que a derrocada dos regimes socialistas consiste na vitória do capitalismo, uma vez que este sistema econômico já está em crise há algum tempo e caminha para uma falência de proporções catastróficas, pois a ruína do socialismo é um dos sintomas, mais gerais, visível no próprio capitalismo. A crise do capitalismo teve início no Terceiro Mundo e conforme o autor é observável, nos países do Leste Europeu e conforme a própria lógica do sistema, começa a alastrar-se às grandes potências. Para Robert Kurz, o chamado ?socialismo real? está errado em declarar o trabalho a essência supra-histórica do homem como tal, fazendo desse fato, a alavanca de sua crítica à sociedade burguesa. Entretanto, não é possível imaginar nenhuma sociedade civil que não se paute no trabalho como acontece em ?Alice no país das Maravilhas?. O autor aproxima a exaltação socialista do trabalho em abstrato da ética protestante, na qual Max Weber viu a essência e justificação do capitalismo. Por outro lado, ele demonstra a falácia de contrapor modelos de sociedades, como a concorrencial e a estatista, uma vez que o capitalismo nunca pretendeu a pura liberdade de mercado. Kurz aproxima o estatismo soviético das teorias de Fichte e, lembra os diversos momentos estatizantes na história do capital. Os surtos ocidentais de racionalização e produtividade, nos anos 70 e 80, acelerados pela microeletrônica, deixaram para trás os países do Leste em virtude de sua estrutura interna estagnante, já que faz parte do sistema global os fracos caírem antes no abismo. Dois dos indícios desse abismo são: o desemprego em massa e a nova pobreza, que vem se espalhando pelo Ocidente desde a década de 1970. Assim sendo, em linhas gerais, o livro trata a) da vitória do capitalismo, e b) da refutação do prognóstico histórico de Marx; ou ainda, da derrota do estatismo pelas sociedades de mercado. Sobre a lógica e ethos da sociedade de trabalho, observa-se que a ética da sociedade do trabalho apresenta um ?conflito de sistemas? que propaga a propriedade individual e a anuncia a mudança para a economia de mercado baseada na concorrência, de modo que se poderia dizer que o ocidente teria saído vitorioso, entretanto, desde a década de 50, percebe-se que um sistema tende a substituir o outro e não há vitoriosos. A obra permite compreender que o triste colapso das economias de comando baseadas na economia de guerra provoca o grito por uma "autêntica" economia de mercado. As velhas e gastas roupas ideológicas que ninguém quer mais ver já estão se esfarrapando. E uma vez que o conflito histórico com o Ocidente sempre se passou dentro do sistema produtor de mercadorias da modernidade, essa exigência tem certa justificação imanente. Para voltar ao ponto de partida: parece que o Ocidente venceu; e sobre o fundamento do sistema produtor de mercadorias não apenas parece ser assim. O único problema é que esse fundamento não é mais firme. Portanto, por se viver um momento de inércia da vida e do pensamento humanos parece imenso, e a capacidade de sofrimento dos indivíduos talvez chegue muito perto daquela dos animais. Não obstante, existe um limite absoluto, mesmo que este esteja à beira da "destruição do mundo", limite do qual ninguém pode dizer o quanto estamos distantes. É possível que a era das trevas da crise do sistema produtor de mercadorias, com suas formas de percurso e acontecimentos catastróficos, abranja boa parte do século XXI.


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