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Piaget na sala de aula



Segundo Piaget, a atividade intelectual não pode ser separada do funcionamento total do organismo, por isso considerou-a como uma forma especial de atividade biológica. Para começar a entender o processo de organização e adaptação intelectual devemos ver alguns conceitos piagetianos como esquema, assimilação, acomodação e equilíbração, que são usados para explicar como e por que o desenvolvimento cognitivo ocorre. Esquemas são as estruturas mentais ou cognitivas pelas quais os indivíduos intelectualmente se adaptam e organizam o meio. Não são objetos reais, mas são vistos como conjuntos de processos dentro do sistema nervoso. Podemos fazer uma analogia a um arquivo, no qual cada ficha representa um esquema. Os adultos têm muitas fichas ou esquemas e esses são usados para processar e identificar a entrada de estímulos. Os esquemas do adulto emergem dos esquemas da criança através da adaptação e da organização. Portanto, o desenvolvimento intelectual consiste em um contínuo processo de construção e reconstrução. Os processos responsáveis pela mudança são assimilação e acomodação. Assimilação é o processo cognitivo pelo qual uma pessoa integra um novo dado perceptual, motor ou conceitual nos esquemas ou padrões de comportamento já existentes. Um ser humano está continuamente assimilando, processando um grande número de estímulos. Poderíamos comparar um esquema a um balão e a assimilação ao ato de encher mais o balão de ar. O balão fica maior (crescimento por assimilação), mas não muda a sua forma. Essas transformações dos esquemas se dão através do processo que Piaget chamou de acomodação. Acomodação é a criação de novos esquemas ou a modificação de velhos esquemas. Os esquemas são construídos e não são formas exatas da realidade. Suas formas são determinadas pela assimilação e acomodação da experiência e, com o passar do tempo, se tornam cada vez mais próximas da realidade. Os processos de assimilação e acomodação que transformam os esquemas primitivos do bebê em esquemas mais sofisticados, como o dos adultos, levam, obviamente, anos. A acomodação é responsável pelo desenvolvimento (uma mudança qualitativa) e a assimilação pelo crescimento (uma mudança quantitativa); juntos eles explicam a adaptação intelectual e o desenvolvimento das estruturas mentais. Um balanço entre assimilação e acomodação é tão necessário quanto o processo em si e este balanço se dá por um mecanismo interno o qual Piaget chamou de equilibração. Para entendermos a equilibração podemos dizer que uma criança, ao experimentar um novo estímulo (ou velho outra vez), tenta assimilar o estímulo a um esquema existente. Se ela for bem sucedida, a equilibração em relação aquela situação estimuladora particular é alcançada no momento. Se a criança não consegue assimilar o estímulo a um esquema novo, ela tenta, então, fazer uma acomodação, modificando um esquema ou criando um novo e assim a equilibração é alcançada. No conceito piagetiano, é dessa maneira que se processam o conhecimento e o desenvolvimento cognitivo em todas as suas fases. Do nascimento até a fase adulta o conhecimento é construído pelo indivíduo, sendo os esquemas do adulto construídos a partir dos esquemas da criança. Do mesmo modo que nos adaptamos biologicamente ao mundo que nos cerca, o desenvolvimento mental e intelectual é um processo de adaptação. Piaget concebeu a inteligência como tendo dois aspectos: o cognitivo e o afetivo. O aspecto afetivo tem uma profunda influência sobre o desenvolvimento intelectual. Ele pode acelerar ou diminuir o ritmo de desenvolvimento. Para Piaget o afeto se desenvolve no mesmo sentido que a cognição ou inteligência. Quando examinamos o raciocínio das crianças sobre questões morais, um aspecto da vida afetiva, nós percebemos que os conceitos morais são construídos do mesmo modo que os conceitos cognitivos. Piaget argumentou também que todo comportamento apresenta ambos os aspectos; o afetivo e o cognitivo. O desenvolvimento intelectual é o processo pelo qual as estruturas da inteligência se constróem progressivamente, através da contínua interação entre o sujeito e o mundo externo. Para Piaget (1975), as estruturas que se constróem sucessivamente durante o desenvolvimento intelectual são formas de equilíbrio, apresentando cada uma dessas formas um progresso com relação às que a precederam. O desenvolvimento intelectual é subdividido em estágios que obedecem a determinadas características. Os estágios se processam em uma ordem seqüencial, verificando-se em cada um deles o aparecimento de estruturas de conjunto que caraterizam as novas formas do comportamento que surgem. Tais estruturas de conjunto apresentam ainda um caráter integrativo, visto que são preparadas por aquelas que as precedem e se integram nas que a sucedem. Desta forma, as estruturas que determinam o aparecimento das coordenações dos esquemas sensoriomotores são seguidas pelas estruturas pré-operatórias ou intuitivas, as quais, por sua vez, são seguidas pelas estruturas operatórias formais ou lógico-matemáticas (que explicitaremos a seguir). Como essa ordem de sucessão é invariável, as estruturas operatórias ou intuitivas e as estruturas operatórias formais só se constróem na fase final do desenvolvimento.


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