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Situações I - Críticas Literárias



A leitura de um livro técnico requer uma postura do leitor que difere bastante da leitura de um romance. Requer persistência, ir e vir em cada frase, em cada parágrafo para poder compreender o que precisa ser compreendido. Assim é a leitura de Situações I críticas literárias, do Sartre. Trata-se de um livro denso, onde o autor se incursiona pela produção de uma série de autores fazendo uma análise minuciosa da sua escrita. Escolheu autores contemporâneos parisienses como Bataille, Blanchot, Camus, Giradoux, Mauriac, Nizan, Ponge, Rougemont, alguns americanos como Dos Passos, Faulkner, um russo Nabokov, incursionou pela fenomenologia analisando Husserl, encerrando o livro com a análise de Descartes.
Cada obra é dissecada com a mesma postura de um cientista diante de um fenômeno a ser desvendado. Cada elemento é analisado, desde o tempo verbal utilizado, a forma das frases, as idéias utilizadas e as pretendidas. No desenrolar do texto, vamos conhecendo quem foi o sujeito que escreveu aquelas linhas, qual a sua dinâmica, como era sua relação com a escrita, o que motivava sua escrita, e desta forma, compreendemos porque determinado autor escreve de uma forma, e outro de outra. Imagino que o autor ao ler o texto, tenha a desconfortável impressão de estar desnudo. Mas, ele não pára por aí. Tendo o conhecimento de quem é o autor, ele analisa seu alcance ? até onde sua obra foi, até onde poderia ter ido, os limites nos quais esbarrou. E com isso ele não busca justificativa alguma, mas compreender o que acontece ali, com aquele autor, como foi possível que ele escrevesse tal coisa e não tal outra. E não se trata de uma análise puramente interpretativa, pois ele embasa o que coloca com palavras da própria obra, com citações, de forma que o leitor esbarra no fenômeno e não tem como contestá-lo. Feito essa acareação, essa análise exaustiva que desvela o autor aos olhos do leitor, ele se posiciona diante da obra, considerando então o valor dela. Passa então a ser o crítico mordaz, que não foi avaro com os elogios, nem sutil com as críticas. Fica-se diante de um Sartre severo, aquele que sabe que o homem é inteiramente responsável por suas escolhas, pelo ser que se definiu no mundo, e consequentemente por suas obras. Dessa forma, se um livro foi numa direção e não noutra, isso aconteceu pelas escolhas que o autor fez, num dado momento de sua vida. E a obra expressa esse movimento, mais uma vez confirmando o que Sartre já dizia no ?diário de uma guerra estranha?, que num movimento acontecido num instante, se consegue ver o sujeito na sua totalidade. Foi esse o caminho que ele fez, da análise do livro escrito, chegou ao ser do autor. Trabalho árduo, que torna este livro bastante técnico e fastidioso para o leitor comum. Entretanto, para aqueles cujo interesse é voltado para a literatura no sentido técnico, a psicologia e a filosofia, a leitura fascina.


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