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Página Principal : Teoria e Crítica


Panorama do Teatro Brasileiro



As primeiras manifestações teatrais foram introduzidas no Brasil pelos Jesuítas, por interesses religiosos, no século XVI. Anchieta escreveu muitas peças sob influencia dos milagres do século XIII e XIV, além de autos vicentinos. Um vazio de produção artística ocorreu do século XVII até a metade do século XVIII, como resultado do envolvimento do país com a colonização e batalhas por território. Manuel da Costa é o único que teve seu texto preservado até hoje. No século XVIII, as casas da ?Ópera? vão ajudar na propagação do teatro, que firma-se com a Independência política brasileira. Em 1838, Gonçalves de Magalhães foi um elo entre a escola antiga, neoclássica e o romantismo, fazendo as peças Antônio José, realizada pela Cia João Caetano. No mesmo ano, Martins Pena, com o Juiz de Paz na Roça, marcou a primeira metade do século XIX, sendo considerado um ?Molière?<1> brasileiro. A comédia de Pena constitui-se em dois pólos: estado da situação e de caracteres, influências respectivamente de Aristófanes<2> e Molière. O tema cotidiano e o sentimento nacional caminham para a individualidade brasileira, que influenciarão todos da dramaturgia subseqüente. Joaquim Manuel de Macedo escreveu farsas baseadas na Comédia Nova (Plauto), algumas são as melhores existentes no séc XIX. Neste mesmo século, tivemos no teatro outros romancistas como José de Alencar e Machado de Assis, que foi o maior crítico do referido século. França Jr. foi a continuação de Martins Pena, enquanto Artur Azevedo, segundo Magaldi (1997, p.153), não era o maior dramaturgo, mas com certeza a maior figura de teatro brasileiro. Coelho Neto iniciou com dramalhões e melodramas, mas o sucesso que teve deu-se com suas comédias, fundadas também em Azevedo e Pena. Os autores do fim do século XIX e início do século XX foram Goulart de Andrade, João do Rio (Paulo Barreto), Roberto Gomes e Paulo Gonçalves, com obras que vão do sentimentalismo ao gosto impressionista. A Primeira Guerra Mundial (1914- 1918) afastou o Brasil das companhias européias, forçando uma produção autônoma. Surgiram outros autores como Cláudio de Souza e Gastão Tojeiro. Apesar de o teatro não ter participado representativamente da Semana de 22, a força das outras artes contribuíram posteriormente para o desenvolvimento do teatro, já que reunia muitas delas. O autor que participou deste movimento, introduzindo nas peças de teatro os traços modernistas, foi Oswald de Andrade, que escreveu peças como: O Rei da Vela, a Morta, O Homem e o Cavalo e Marco Zero. Mas como tais obras não foram encenadas na época, o modernismo no palco ocorreu efetivamente com a montagem da peça Vestido de Noiva, de Nelson Rodrigues, seguindo-se outras peças. Os problemas e as relações familiares são expostas de formas originais e concentradas, dando força às peças. O comum ganha harmonia como técnica ?expressionista, na qual os diálogos são sincopados, telegráficos, situando os sentimentos e as emoções já no limite da maior tensão? (MAGALDI, 1997, p. 220). Nelson Rodrigues, Jorge Andrade, com A Moratória (1955), Ariano Suassuna, com a peça O Auto da Compadecida, o texto mais popular desta fase, e Gianfrancesco Guarnieri com a peça Eles não usam black ?tie, no Teatro Arena de São Paulo, são os representantes do moderno teatro brasileiro e fonte de trabalhos posteriores. Na modernidade, a peça ?Vestido de Noiva?, com encenação de Ziembinski trouxe revoluções imediatas, enquanto o TBC (Teatro Brasileiro de Comédias), em 1948 proporcionou o concurso dos diretores europeus, profissionais que assumiram muitos grupos brasileiros, provocando a mudança de hegemonia de encenadores em detrimento de autores. Em 1958, Guarnieri inverteu o quadro, com suas peças, porém o Golpe de 1964 freou este desenvolvimento. As peças passaram a ter uma linguagem metafórica para furar a censura, e, com o fim da ditadura, houve um novo vazio de produção cultural, pela inutilidade que tinha agora, a linguagem anterior (metafórica). Foi necessário um tempo para uma readequação da situação do Brasil (MAGALDI, 1997, p. 222). Na década de 50 surgiram dramaturgos como: Silveira Sampaio, Guilherme Figueiredo, Raimundo Magalhães Jr., Pedro Bloch. Pela falta de dramaturgos, literatos em geral arriscavam escrever teatro, como Rachel de Queiroz e Lúcio Cardoso. Nos anos 60, despontaram autores como Dias Gomes, Augusto Boal, Millôr Fernandes, Agostinho Olavo, Oduvaldo Viana Filho e Edy Lima. Um momento histórico que didaticamente marca o início do teatro contemporâneo no Brasil foi a estréia de ?Macunaíma?, com montagem de Antunes Filho, e, o fim do Ato Institucional n° 5, de 13 de dezembro de 1968. Neste momento, o encenador ganhou nova força, sendo o criador do espetáculo, mudando textos teatrais, juntando autores ou obras, adaptando romances ou contos, em busca de uma criação integral. Antunes Filho adaptou ?Macunaíma?, romance de Mário de Andrade, seguida de outras obras no mesmo estilo. Ulisses Cruz foi outro encenador que optou por trabalhar com imagens (recurso já desenvolvido por Gerald Thomas). Outros encenadores importantes partiram da EAD (Escola de Artes Dramáticas), como José Possi Neto, Luiz Roberto Galizia, William Pereira, Cacá Rosset, Antônio Araújo, Augusto Boal, e outros. Com isso, muitos autores foram para outros meios de comunicação, como a televisão, entre eles Adelaide Amaral, Dias Gomes e Lauro César Muniz. Com todos esses artistas, tanto dramatúrgos quanto atores, diretos e encenadores, o teatro modificou-se, desde os seus primórdios no Brasil. Vemos como a comédia deu-se com maior ênfase em grande parte do tempo, como o drama e a tragédia consolidaram-se fortemente no modernismo e como a diversidade tomou conta do contemporâneo.


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