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MACHADO DE ASSIS: ROTEIRO DE CONSAGRAÇÃO (CRÍTICA EM VIDA DO AUTOR)



O capítulo 19, intitulado "Memórias Póstumas de Brás Cubas", da obra ?Machado de Assis: roteiro da consagração, ( crítica em vida do autor)?, organizada por Ubiratan Machado traz a tona à crítica da época em que viveu Machado de Assis, sobre a obra Memórias Póstumas de Brás Cubas. As Memórias Póstumas de Brás Cubas foram publicadas na Revista Brasileira entre 15 de março e 15 de dezembro de 1880 e em janeiro de 1881 estava nas livrarias, entre o texto em jornal e a publicação em livro houve alterações. O romance ainda estava sendo publicado e já colhia aplausos, como e de Raul Pompéia. Neste capítulo, estão selecionadas, após a edição, as seguintes críticas: publicações em jornais da época, de autoria Capistrano de Abreu, Urbano Duarte e Abdiel (pseudônimo não identificado), também recebeu críticas em outros jornais, mas estas não estavam assinadas, e por via de cartas se manifestaram sobre a obra Macedo Soares e Franklin Dória. Capistrano, na sua crítica, questiona se As Memórias Póstumas são um romance e, o sendo por acidente, para ele o mais importante é a descrição dos costumes e a filosofia social que está implícita. Esta filosofia das memórias faria alusão a La Rochefoucald e a Sancho Pança. A obra estaria composta pelo ceticismo, mas traz o contentamento que acha que tudo vai muito bem, no melhor dos mundos imagináveis, numa filosofia na qual nada é absoluto e os homens sabem disso e não reagem primeiro: por causa da formalidade; segundo: pelo interesse, vaidade e covardia. No decorrer da análise, ele faz um resumo da obra e afirma que depois de expor a moralidade da mesma, considerá-la como produto literário não é tarefa fácil, porque as Memórias é um livro concêntrico de tendências nem sempre convergente, aconselha o leitor a ler a obra porque há muito para ser entendida. A crítica de Urbano Duarte classifica as Memórias como um livro de filosofia mundana sob a forma de romance, faltando entrecho e o leitor vulgar achará pouco pasto. A obra é fruto de um autor sóbrio, com uma ponta de materialismo que enche o leitor de um teorema no qual o bem e o mal não são princípios, são resultados, fatores que Urbano discorda, porque Machado de Assis rebate ao chão da banalidade e do comum, toda ordem de sentimento. Logo, seria missão importante e dificultosa da crítica adivinhar a idéia-mãe da obra. Para Urbano Duarte, a feição literária do livro apresenta estilo sóbrio, impecável, ataviado de expressões originais e pinturescas, porém monótono, livrando-se da monotonia pelo abuso de cabriolas. É um estilo furta-cores, que faz rir para não fazer chorar. A impressão final é que a obra é deficiente, senão falsa, não enfrenta o problema e só filosofou sobre caracteres de uma vulgaridade perfeita, é deficiente na forma, porque não há nitidez, não há desenho, não há colorido, mas ainda assim definido apela para um juízo mais competente. Abdiel (pseudônimo de autor não identificado) vem trazer o juízo de valor mais adequado à obra, afirmando ser um extraordinário romance, inspirado nos humoristas ingleses, dissecando a alma humana, tendo correspondentes na literatura de ambos os países de língua portuguesa, o que hoje é uma realidade acabada. Para Abdiel o que é imprescindível, o que é essencial numa obra de arte, é que ela exista na natureza, que impressione viva, benéfica e poderosamente o espírito do homem e a obra satisfaz a exigência, porque o herói foi colhido vivo de entre as multidões. Rebate a crítica de Urbano Duarte e diz que a forma de adultério trazida na obra não remete a´O Primo Basílio, poderia remeter a outras que tratam de assunto semelhante e não tendo o crítico, Urbano Duarte, o juízo certo sobre a obra deveria ter dado tempo ao tempo, pois será o público o juiz da sentença que fará a obra viver ou esquecer.


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