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A Ética Protestante (parte dois)



A quintessência da ética protestante, a obtenção de mais e mais dinheiro combinada com o afastamento de todo o gozo expontâneo da vida é, acima de tudo, desvinculada de um ?princípio de prazer?. Ela surge como um fim em si mesmo, um destino e pode bem ser contestada como uma ética absurda e irracional. Os teólogos abusam de expressões como ?desígnios ocultos de Deus?, ?Riqueza para melhor glorificar o Senhor? e outras parvoíces que ainda ressoam na subjetividade protestante.
Voltando à gênese do capitalismo. O estabelecimento de salários não foi implantado entre os trabalhadores sem uma certa resistência, pois ainda se encontrava muito arraigada as velhas tradições medievais, a qualificação técnica era incipiente e o maquinário representava um investimento de alto risco financeiro. Estes problemas são canonizados em todos os historiadores do capitalismo; a singularidade do autor está em demonstrar a superação destes problemas pela disseminação da nova ética e pela seleção de trabalhadores protestantes nas fileiras da indústria emergente. A capacidade de concentração mental, a frugalidade e a responsabilidade são componentes da educação protestante que esposam as exigências de uma produção planificada ( durante as famosas revoltas nas tecelarias inglesas, quando os operários se embriagavam e destruíam as fábricas, os protestantes eram perseguidos e tinham as suas ferramentas destruídas por não participarem das revoltas ).
A obtenção das mercadorias necessárias à satisfação das necessidades pessoais e uma luta pelo lucro são os fins que controlam a forma e a direção da atividade econômica. Este novo princípio não foi estabelecido sem uma profunda modificação no ?ethos? desta época. O autor descreve um modo de produção tradicional onde os artesãos faziam do trabalho um componente das suas vidas, entre outros; e o modo de produção industrial onde o trabalho se torna um fim em si mesmo sem nenhum vestígio dos idílios campesinos.
Fortunas respeitáveis são feitas e não emprestadas a juros, mas sempre reinvestidas no negócio. A velha atitude de lazer e conforto para com a vida deu lugar a um ascetismo e uma rígida frugalidade.
A questão das forças motivadoras da expansão do capitalismo não é, a princípio, uma questão de origem das somas de capital disponível para uso capitalístico, mas principalmente, do desenvolvimento do espírito do capitalismo. Onde ele aparece, se capacita e desenvolve, ele produz seu próprio capital e seu suprimento monetário como meios para seus fins, e não o inverso. Mas sua entrada em cena geralmente não foi pacífica. Um dilúvio de desconfiança, algumas vezes de ódio, e acima de tudo de indignação moral, opôs-se primeiramente ao primeiro inovador. Muitas vezes, tendo conhecimento de vários casos desta espécie, lendas sistemáticas sobre misteriosas nódoas sombrias em sua vida pregressa foram inventadas. É muito mais fácil não reconhecer que somente um caracter de força incomum poderia salvar um empresário deste novo-estilo de perder seu auto controle temperado, e de um naufrágio tanto moral quanto econômico. Além disto, juntamente com a clareza de visão e a habilidade no agir, foi somente em virtude de qualidades éticas muito definidas e altamente desenvolvidas, que lhe foi possível conquistar a confiança absolutamente indispensável de seus fregueses e trabalhadores. Com o espírito do capitalismo uma nova subjetividade, um tipo de homem empreendedor, ativo e calculista que, sem se deixar arrebatar pelas promessas místicas do paraíso, busca no trabalho e no acúmulo de capital a plenitude da sua natureza. É exatamente isto, porém, que ao homem pré-capitalista parece tão incompreensível e misterioso, tão sem valor e desprezível. Que alguém possa ser capaz de fazer do capital a única finalidade da sua vida profissional e de descer à tumba sobrecarregado com um grande fardo material de dinheiro e bens é algo somente explicávelcomo o produto de um instinto perverso. O que parece estar em jogo, disseminada por toda a obra, é a tese da predestinação. Aos olhos de muitos teóricos protestantes, a riqueza e o gozo de bens materiais seria um fato inscrito na vida dos eleitos. Seria inverossímil para eles acreditar que Deus tivesse dividido a priori os homens entre condenados e eleitos e não tivessem estes últimos o sinal secularizado da bem aventurança: a riqueza. A articulação entre a religião e o capitalismo se efetua no plano dos dogmas, o que torna manifesto o grande paradoxo do protestantismo: uma conduta objetiva e racional na gerência das riquezas e bens e uma fundamentação moral obscura e dogmática como é a predestinação. Essa tese, que o autor conceitua como ?vocação?, começa a ser estabelecida com a legitimação dos trabalhos seculares. Enquanto os católicos medievais consideravam o trabalho uma expiação (ganhar o pão com o suor do próprio rosto) e como um modo de vida provisório até o breve retorno do Messias; os protestantes enfatizam o trabalho e a riqueza como a prática virtuosa de fazer o bem ao próximo. Outro argumento soberano é o de ser a riqueza um instrumento do homem para ?cantar? a glória de Deus através de obras magníficas e piedosas. O trabalho na ética protestante é a via intermitente da santificação que não pode ser atingida por obras isoladas como no catolicismo onde uma grande doação de bens para a igreja podia redimir toda uma vida graças aos investimentos mágicos da liturgia. Para os protestantes não existe o ciclo essencialmente humano do pecado, arrependimento, separação, relaxamento seguidos de novo pecado. Assim, foi no seio do mais profundo ascetismo que surgiu a mais luxuriosa formação social: o capitalismo.


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