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A reprodução



A reprodução do sistema de ensino como instituição relativamente autônoma permite a reprodução da cultura dominante, e essa reprodução cultural reforça como poder simbólico e reprodução continua da relações de força no seio da sociedade.Bourdieu propõe a noção de habitus que nos parece mais adequada e completa aos nossos propósitos. Os habitus consistem em sistemas de disposições inseridas em uma estrutura determinada e em posições marcadas. Assim "duas pessoas dotadas de habitus diferentes, não estando expostas à mesma situação e aos mesmos estímulos, pelo fato de que os constroem diversamente, não escutam as mesmas músicas e não vêem os mesmos quadros, têm razões para fazer julgamentos de valores diferentes"(Bourdieu, 1997,p333).Tanto a noção de habitus quanto a de prática, portanto, opõem-se à visão de leitura como um ato puramente intelectual, como uma decodificação ou decifração de um significado que já existe no texto. Portanto, elas se opõem igualmente a visão da leitura como "interpretação", pois segundo Bourdieu, este vocábulo está ligado à concepção da obra literária como algo a ser decifrado por um ato intelectual espontâneo. A recepção de uma obra é uma prática assentada no habitus .Há um laço de dependência mútua entre a natureza dos textos propostos à leitura e a forma de leitura que deles é feita.A noção de habitus adquire um sentindo mais preciso, quando relacionada a uma outra, de imensa importância na obra de Bourdieu: a de campo. Os agentes não atuam num vácuo, mas em situações concretas - daí a noção de prática -, limitandas por um conjunto de relações sociais objetivas e sua regras.O campo constitui um espaço estruturado com suas próprias leis de funcionamento e suas próprias relações de força. Os campos estão estruturados hierarquicamente(o campo econômico, o campo educacional, o campo político, o campo cultural e outros), e, embora estruturalmente homólogos uns aos outros, são relativamente autônomos.Para Bourdieu, a economia especifica do campo cultural está fundada numa forma particular de crença com relação ao que constitui um obra ( por exemplo literária, artística) cultural e seu valor estético e social.Com relação aos textos literários, o resultado da aplicação das noções de campo e de habitus é a afirmação de que a explicação completa das obras artística não deve ser encontrada nem nos próprios textos, nem em qualquer tipo de estrutura social dominante. Ao contrário, ela se encontra na história e na estrutura do próprio campo, com seus múltiplos componentes, e na relação entre aqueles campos e o campo do poder.Interessa-nos, sobremaneira, com relação à leitura, os seguintes pontos, no entender de Boudieu: a prática constitui um termo-chave para a oposição à concepção da obra literária como um texto acabado, dado à decifração.


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