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Arriba COM DEUS MANO JOÃO



ARRIBA COM DEUS, MANO JOÃO !...

Não mais me esqueci, daquela frase do Raul Brandão, lá no seu livro ?os Pescadores?, quando o chamador batia de porta em porta com um cacete e dizia: arriba com Deus, mano João.

A beleza da frase, emociona-me, porque trás consigo uma enorme carga de amizade, extensiva a todos os pescadores de Olhão. Este texto é para eles, para esses heróis do mar que saíam a barra, nessa altura em que havia muito peixe. 

Nesse tempo ia ao mar quem queria, grandes, pequenos, humildes e fracos Há 150 anos, Olhão viva só do mar. Talvez por isso toda a gente se conhecia. Porque iam todos ao mar e  aprenderam que com o mar não se brinca e todos tinham que estar unidos nessa luta contra  o monstro.

Por força dessa unidade o homem de Olhão tornou-se solidário. Não se pode ter diferenças entre os homens que vão ao mar. Ali  são todos iguais e têm que estar disponíveis uns para os outros. Ser solidário. Como no tempo do contrabando em que nunca se perdeu uma peça de fazenda, que passava de soteia para soteia, mesmo entre vizinhos desavindos.  

O homem de Olhão foi marítimo por excelência e bom  marítimo. È um  homem de honra.

 E Olhão é agora a  terra onde reside o meu amigo e poeta Manuel Madeira. Olhão hoje já não é só terra de pescadores. Olhão ganhou  nova roupagem e  é uma terra onde sinto necessidade de lá ir de vez em quando.

Da última vez que lá estive, encontrei-me com o meu particular amigo e colega Dr. Joaquim Ferreira da Cruz, um olhanense que continua a denotar muito orgulho na sua terra.

Levou-me até ao mercado, um local de azáfama enorme e farto em peixe, legumes e em todos os produtos hortícolas, muita fruta  e outros. Dum lado a avenida larga,  com restaurantes fartos sobretudo em peixe. Olhão, onde  a sardinha impera.

Mas Olhão não é só mercado e restaurantes de bom peixe. Tem também a sua festa de marisco, recebendo milhares de forasteiros todos os anos  e tem sobretudo a sua honradez. O homem de Olhão é um homem grato e destemido  e bate-se pela sua dama  quando se julga dentro da razão.

 Olhão é a terra donde  saiu o caíque «Bom Sucesso» que, tripulado pelo mestre Manuel Martins Garrocho, pelo piloto Manuel de Oliveira Nobre e mais três tripulantes, atravessou o Atlântico e atingiu o Rio de Janeiro, para levar ao rei D. João VI a boa nova dos levantamentos contra os invasores franceses comandados por Junot, em 16.06.1808..

 Olhão é a terra destes marítimos que protagonizaram  este feito imortalizado por José Agostinho de Macedo na obra «O Novo Argonauta», o que levou o rei a recompensá-los e a elevar a sua terra a vila com a designação oficial de Nobre Vila de Olhão da Restauração (1808.Novembro15).

Embora já conhecidas as excepcionais aptidões dos algarvios para a lida do mar, de então em diante, a fama dos marítimos olhanenses, que já era tida como dos melhores entre os melhores, afirmou-se ainda mais: as suas qualidades de perícia, intrepi­dez e lhaneza consagraram-nos definitivamente, nas margens do Tejo 

Sousa Farias


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