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Página Principal : Teoria e Crítica


Você Vive em uma Prisão?



Condomínios fechados, muros gigantes, arame farpado. Essa é a arquitetura do medo. É muito raro você ter a chance de caminhar em meio a uma idéia. Mas seus olhos a percebem enquanto você observa a altura dos muros e o material das grades.

São 600 mil vigilantes privados no Brasil, entre oficiais e clandestinos. Mas essa não é a mais interessante peça da idéia. É apenas o sintoma, não a doença. A idéia está interessada em outra questão. O que significa viver, morar e se proteger sob essas circunstâncias de medo permanente? E, talvez a pergunta mais necessária, medo de quem ou do quê?

 Uma casa impossível de ser vista na rua, um edifício cercado de fios de alta tensão, a altura de uma grade, a presença de uma câmera, essa é a paisagem dos grandes centros brasileiros, um intenso processo de medievalização. A palavra se refere ao retorno de sistemas de proteção originados na Idade Média. Um período da história no qual o combate físico era uma experiência cotidiana. Sônia descobriu, disfarçadas ou evidentes, muralhas, torres de vigia, fossos, portões duplos, trincheiras e guaritas.

 os sistemas de segurança estão sendo incorporados aos projetos. Há o teto, e com ele existe a separação, o limite, a fronteira.

 O medo do crime não é menos grave do que o crime. Se as pessoas sentem esse medo, é porque alguma agressão está acontecendo, e assim essa sensação de ameaça permanece.

 Se você for a uma loja de material de construção, vai ver que as janelas já são fabricadas com grade. Já percebeu isso?

 Algumas pessoas não se fecham porque não têm nada para ser roubado. São pessoas que mal têm um fogão. E mesmo assim alguns se trancam com medo de que levem o botijão de gás. A violência urbana tem sua origem na miséria.

 Na arquitetura os elementos de passagem são fundamentais. A janela é a passagem do olhar e da imaginação. A porta é a passagem física, corporal. Uma contempla as possibilidades da imaginação, do horizonte, a outra é seletiva pela sua natureza. Trancamos nosso olhar em janelas que não se abrem para o vento. Qualquer possibilidade de ?espaços vazios? é prontamente negada, quando deveria ser o mais desejado.

 É possível esperar por um desmonte das fortalezas para que o muro baixo e o portão de madeira ? pintado de verde ou azul ? possam ocupar o centro da vida urbana?



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