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As Origens da Imprensa em Portugal



Panorama político, militar e diplomático

As primeiras manifestações da actividade impressória em Portugal ocorrem num período em que a história política, diplomática e económica do país é dominada pela expansão ultramarina. A presença portuguesa no Norte de África teve o seu momento mais expressivo em 1471, com a tomada de Arzila, apoiada pela Cúria Romana sob o signo da cruzada contra os infiéis.

D. Afonso V decide casar com D. Joana e unificar os reinos de Portugal e Castela sob dominação comum do rei português. Em Maio de 1474, sem autorização papal, D. Afonso V autoproclama-se ?rei de Castela, Leão e Portugal?, o que levará os partidários de Isabel de Castela e de Fernando de Aragão a declarar guerra contra Portugal.

Em Agosto do mesmo ano, D. Afonso V avista-se com Luís XI em Tours, e permanece em Paris durante um mês, alimentando a esperança de conseguir os apoios que lhe faltavam. No entanto, o rei francês, mais virado para a pacificação militar da Flandres, só viria a recebê-lo em Julho de 1477.

Mas as desilusões não o fazem desistir dos planos de união de Castela a Portugal. Porém, já em Outubro de 1478 Luís XI tinha concertado uma aliança com os Reis Católicos. A assinatura do acordo de paz de Alcáçovas, em 4 de Setembro de 1479, pelo qual a coroa portuguesa abandona as pretensões ao trono castelhano, está na lógica dos fracassos desta aventura diplomática, que também se traduziria num pesado ónus para o Tesouro.

É o príncipe D. João, futuro rei D. João II, quem passa a dirigir, em 1474, a política atlântica. Pode dizer-se que, a partir desse ano, o príncipe é o condutor global dos negócios da coroa, embora D. Afonso V continuasse formalmente investido nessa função.

O Tratado de Alcáçovas é o primeiro sinal da nova diplomacia de coexistência pacífica: Portugal vê reconhecidos os seus direitos ao comércio e descobertas africanas, abandonando a interferência nos assuntos castelhanos e quaisquer pretensões sobre as Canárias.

Investido definitivamente no trono em 1481, por morte de Afonso V, D. João II patrocina as viagens de Diogo Cão, a fundação da feitoria de Benim, prepara a viagem de Bartolomeu Dias, e promove intensa actividade junto da Cúria Papal, que consagra o carácter espiritual e comercial das explorações na costa africana. Economicamente, inicia-se a exportação de açúcar da Madeira e dinamizam-se as feitorias africanas.

Mas a deterioração das relações com a coroa espanhola, em 1493, pós a viagem de Colombo à América (que D. João II considerava ter sido feita ?dentro dos mares e termos do seu Senhorio da Guiné?), levaria à assinatura do Tratado de Tordesilhas, em 7 de Junho de 1494. 

No reinado de D. João II, inverte-se a política de protecção à nobreza que tinha vigorado durante o reinado de D. Afonso V, e suspendem-se as confirmações de certos títulos concedidos pelo falecido rei. Inicia-se uma luta surda entre o rei e a Casa de Bragança, e de 1485 em diante, o regime político caminha a passos largos para o absolutismo.

Ambiente cultural

Do ponto de vista cultural, o clero católico conserva as prerrogativas de animador das instituições culturais, mas a importância crescente da burguesia e o interesse da nobreza pelas manifestações humanísticas, aumentam consideravelmente o número dos agentes culturais, que deixam de ser, como até então, recrutados quase exclusivamente no clero.

Além do ensino ministrado no Estudo Geral de Lisboa, o Executivo régio financiou a permanência de escolares portugueses no estrangeiro, nomeadamente em Itália (Florença, Pádua e Bolonha), em Salamanca, Oxford, Paris, Toulouse, etc.

A Casa de Avis protege a cultura literária: alguns dos seus titulares, como D. João I, D. Duarte e o Infante D. Pedro, escrevem obras de formação cavaleiresca ou de reflexão filosófica e contribuem para a divulgação dos clássicos latinos.

A invenção da imprensa de caracteres móveis na Europa Central, em meados do século XV, só três décadas mais tarde daria frutos em Portugal.

No entanto, para vencer a resistência dos fundidores e impressores, tornou-se necessário o patrocínio da Cúria Régia ou das autoridades universitárias e religiosas, antes que os primeiros tipógrafos montassem oficinas e começassem a imprimir livros.

Mau grado a importância da imprensa, foram as relações com a Itália que mais contribuíram para as mudanças operadas na cultura portuguesa do último quartel do século XV. Acontecimento de vulto, nesse campo, é a chegada a Portugal, em 1485, do humanista Cataldo Sículo, preceptor do príncipe D. Jorge, bastardo de D. João II: a data marca, na opinião de Américo da Costa Ramalho, a introdução do Humanismo em Portugal. Entretanto, em Itália, além de outros escolares portugueses, viviam Henrique Caiado, Luís Teixeira e Martinho Figueiredo. 

Também influência alemã se fez sentir na cultura portuguesa. Para a aproximação luso-alemã muito contribuiu, em 1451, o casamento da princesa D. Leonor, filha de D. Duarte, com o imperador Frederico III.

Também a influência cultural espanhola se fez sentir em Portugal nessa época. No plano universitário, assume relevo a influência de Salamanca, onde os escolares portugueses obtêm graus em Teologia, Direito, Artes e Medicina.

Assim, a decadência dos Estudos Gerais de Lisboa justifica, em grande parte, o fluxo cultural que se estabelece, desde meados do século XV, entre Portugal e a Europa, deixando-nos um legado positivo, não apenas em termos de reflexos da vivência europeia na cultura portuguesa, mas também pelos trabalhos produzidos pelos estrangeirados com acesso aos meios de difusão cultural.


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