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Notas Sobre a Grandeza e Decadência da Europa



Nos tempos modernos, nenhum poder ou império consegue ficar, durante muito, no auge, mais do que 50 anos. Muitos grandes homens conduziram as suas nações à ruína ? Luís XIV, Napoleão, Bismark,?

A Europa submetia e ordenava os seus fins (europeus) ao resto do mundo. O poder é, porém, efémero ? a Europa foi destruída pelas guerras e o grandes homens levaram-na à ruína ? a Europa será punida pela sua política, será privada de regalias, será governada por americanos.

A Europa distingue-se dos outros continentes pela sua liberdade de espírito, pela sua curiosidade precisa e activa, buscando resultados que se interligavam. A sua política, porém, nada fez para fortificar a sua política primitiva e lhe dar armas mais fortes e bárbaras.

Apareceu um contraste entre o espírito e a política (interesses). A política tinha um produto negligenciado, continha tudo o que a ciência e a técnica rejeitavam.

A paz é uma vitória virtual. Só haverá paz verdadeira se todo o mundo estiver satisfeito. Não frequentemente paz verdadeira ? só há paz real quando não precisamos de impor a vontade ao adversário. Não há nada mais difícil do que determinar os verdadeiros interesses de uma nação. Uma guerra que não aconteceu devido à desigualdade de poder é uma guerra suspensa.

Uma nação é uma quantidade de correspondências íntimas e recíprocas invisíveis pelas quais se concretiza o mistério da união profunda de milhões de homens.

As nações são estranhas umas às outras ? crenças, desejos, características diferentes ? olham-se entre si com curiosidade; têm inveja ou são desdenhosas em relação ao outro.

Cada uma julga que é a nação por excelência, que guiará o futuro, atribuindo só si o poder de desenvolver supremamente as virtualidades que se atribui. As nações comparam-se em termos de número, da moral, das liberdades, da ordem pública, da cultura ou das obras do espírito, de onde retiram os motivos para se preferirem. Todas têm razões presentes, passadas ou futuras, para se acharem incomparáveis.

O grande problema do político é a impossibilidade de comparar as grandes entidades que não se afectam, a não ser por meios exteriores.

O laço que une um povo dentro de uma nação e as diferentes gerações não é igual em todas as nações. A unidade é atingida de maneiras diferentes ? raça, língua, território, memórias.

A crise do Espírito

Nós, civilização, sabemos agora que somos mortais. É um dado biológico das culturas: nascem, crescem e morrem.

Ouvimos falar de impérios que desapareceram totalmente, de que só ficaram as cinzas, mas estas significam alguma coisa ? o passar da História mostrou os fantasmas dos imensos navios cheios de riqueza e espírito. A história dá-nos lições de experiência, e através dela sentimos que uma civilização tem a fragilidade de uma vida.

Grandes virtudes deram origem a grandes vícios ? caso do povo alemão. Trabalhou conscientemente os maus desígnios. Foi preciso usar a ciência para matar tantos homens.

Entrámos na ?fase Inverno? da cultura, em que esta tende a morrer, o espírito pode morrer totalmente. Nem tudo está perdido, mas sente-se tudo em perigo.

A Europa sofreu de uma desordem mental muito elevada - não há respeito entre as nações, não se respeitam as ideias, nenhuma nação quer abdicar daquilo que pensa.

Há uma crise militar, económica e intelectual de difícil cura. Ninguém consegue determinar o futuro, o que será morto ou vivo em literatura, na filosofia, estética, quais serão as ideias ou modos de expressão. Mas a esperança tem de prevalecer para se recuperar o espírito. A Europa balança entre dois abismos: a ordem e a desordem.

A paz é difícil de conseguir, mais complexa que a guerra, tal como a vida é mais obscura que a morte. Houve várias tentativas de dar ordem ao mundo: Kant (paz universal), Hegel, Marx.

A Europa tem uma cultura superior, tem o poder emissor e o poder receptor, tudo vem à Europa e tudo sai dela.

Valèry vê a desordem intelectual na Europa contemporânea na existência dessas novas figuras, os pseudo-intelectuais, que só sabem um bocadinho de tudo. Partilha com Eliot o conceito de elite que governa a sociedade.

O saber era o que diferenciava a Europa dos outros continentes. Agora está a desaparecer gradualmente.

O equilíbrio parece desaparecer porque o poder torna-se difuso na massa, traz a degradação intelectual (Arendt). Perde-se a superioridade do espírito das elites, já que dividindo-se por todos, acaba por haver perdas. O génio perde-se na difusão.

A degradação não desaparece totalmente. è como uma gota de vinho num copo de água ? dissolve-se na massa

O que é a Europa hoje?

É uma capa do velho continente, um apêndice da Ásia. A Europa triunfante nasceu das coisas materiais e espirituais, da cooperação entre as raças, concorrência das religiões, dos sistemas, dos interesses, num território limitado.

A Europa é uma feira medieval: há comércio, trocam-se grandes ideias e saber (é ao mesmo tempo emissora e receptora)

Além de ser um mercado mediterrânico, transformou-se numa fábrica. A fábrica intelectual recebe influências de todo o lado e distribui-as, o que pode levar a uma automatização.

A Europa de hoje é um ?melting pot? como foi outrora a América. O " europeu? é uma espécie de monstro, tem uma memória demasiado carregada, ambições extravagantes, acidez de saber e riquezas ilimitadas; está entre memórias maravilhosas e esperanças desmesuradas, elemento genuinamente específico das nações.


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