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Naturalismo



   

NATURALISMO - É de todo impossível separar, na literatura brasileira, o  Naturalismo do  Realismo, mais ainda do que nas literaturas francesa e portuguesa. As duas direções estéticas dos fins do século XIX se interpenetram na maioria dos casos, com a predominância, é certo, da segunda, pelo menos em qualidade. Poucas são as obras ortodoxamente naturalistas, segundo o figurino de Zola, como, por exemplo, O Missionário, de Inglês de Sousa, A Carne, de  Júlio Ribeiro, Bom Crioulo, de  Adolfo Caminha. As restantes, salvo um que outro exemplo de obra menor, atestam a presença das duas tendências, que, afinal de contas, não se opõem, mas se completam. Mais ainda: o Naturalismo veio a realizar muito daquilo que os realistas apenas tinham como projeto ou ideal estético.

Historicamente, podemos começar com O Coronel Sangrado, de Inglês de Sousa, publicado em 1877, mas que não conseguiu chamar sobre si atenção suficiente para dar início ao movimento naturalista entre nós. Foi preciso que, quatro anos depois, em 1881, Aluísio Azevedo publicasse O Mulato para que a grita provocada a seu redor despertasse os escritores para as modas que iam na França. E essa data marca o início simultâneo do Realismo e Naturalismo na literatura brasileira. Em 1888, com o aparecimento duma série de romances novos, dentro da nova estética (O Lar, de Pardal Mallet; O Missionário, de Inglês de Sousa; Cenas da Vida Amazônica, de  José Veríssimo; O Cromo, de Horácio de Carvalho; A Carne, de Júlio Ribeiro), o movimento alcança plena definição e instala-se completamente entre nós. Daí por diante, conduzidos pelo exemplo de Flaubert, Zola e Eça de Queirós, o inúmero de seguidores da nova moda cresce por todo o Brasil. Vão surgindo, assim, escritores como Adolfo Caminha,  Rodolfo Teófilo,  Domingos Olímpio,  Papi Jr.,  Manuel de Oliveira Paiva,  Antônio Sales,  Xavier Marques,  Catlos D. Fernandes, e tantos outros. Ao lado destes, mais intransigentes na aceitação do ideário naturalista e partindo do Realismo exterior a que ele conduz, outros ganham público e notoriedade, dentre os quais se destacam Machado de Assis e  Raul Pompéia. Formam-se, desse modo, dois grupos: um, dos ortodoxos; outro, dos heterodoxos. O segundo grupo volta-se para o romance de sondagem psicológica, prenunciando, com sua escavação no tempo e no mistério do comportamento humano, aliada, em alguns casos, a uma linguagem ultrametafórica e poética, a prosa simbolista e o romance moderno introspectivo. Com isso, Machado de Assis prepara o caminho para Lima Barreto, que se afasta do modelo naturalista para seguir-lhe a lição. O romance naturalista, por sua vez, desaparece sem deixar maiores vestígios em razão de haver exagerado os defeitos da estética, como se pode observar na obra de um Júlio Ribeiro, de modo flagrante e grosseiro, e de um Adolfo Caminha, de modo sensivelmente mais atenuado. É que a impossibilidade de ligar a ciência à arte na análise dos dramas cotidianos da burguesia deliqüescente do século XIX acabou por desequilibrar os romances tipicamente naturalistas, que, mesmo no caso de Zola, tiveram de ir cedendo terreno pouco a pouco, até admitir o que antes abjuravam por antipositivo: o espírito, o mistério, o "milagre".

Na literatura brasileira, o Naturalismo, e o Realismo igualmente, fixou temas urbanos e regionais. No primeiro caso, interessaram-lhe, não só os casos típicos da burguesia, decadente por falta< de bases morais em que assentar todo um sistema social, como também os problemas das classes mais humildes e marginais, precisamente aquelas que eram exploradas pela ganância burguesa de lucro. Assim, temos, no primeiro caso, O Mulato e Casa de Pensão, de Aluísio Azevedo, e A Normalista, de Adolfo Caminha, entre outros. No segundo, O Cortiço, de Aluísio Azevedo, e O Bom Crioulo, de Adolfo Caminha. Entre os romances regionalistas, podem-se alinhar O Missionário, de Inglês de Sousa; A Fome, de Rodolfo Teófilo; Luzia-Homem, de Domingos Olímpio; D. Guidinha do Poço, de Manuel de Oliveira Paiva, etc., que giram em torno do binômio homem x seca ou homem x sertão. Ao contrário do que se pode verificar no romance naturalista francês e mesmo português, não propulsiona tais obras qualquer idéia reformista ou socialista. Na literatura brasileira, o Naturalismo (e o Realismo, de resto), foi um movimento mais de ordem estética que ideológica ou política, não obstante tivesse por base as idéias que corriam pela Europa do tempo, como o positivismo, o materialismo cientificista, etc. Quadra das mais ricas da literatura brasileira, propiciou o surgimento de algumas das suas mais expressivas figuras da prosa de ficção.




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