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Modernismo: TRADIÇÃO E RUPTURA



 Refiro-me aqui a T. S. Eliot, autor, entre 1 outros, de The waste land, poema a partir do qual são lançados muitos dos fundamentos da poesia moderna, inclusive o seu entranhado e difuso intertextualismo, esse palimpsesto através do qual, sobre o texto da antigüidade, se reescrevem as linhas da modernidade. O advento do modernismo não era apenas desejável ou previsível, mas de urgência urgentíssima. Essa exploração de uma temática tipicamente brasileira foi, aliás, uma das tônicas do modernismo. As próprias designações dos grupos Verde-Amarelo, Anta e Pau-Brasil, além da facção da Antropofagia, já denunciavam abertamente esse propósito. Os elementos revolucionários do ideário estético de 1922 foram trazidos da Europa por Graça Aranha e Oswald de Andrade. Aceitavam apenas do passado o simbolismo, que lhes acenava com a possibilidade do verso livre e com o desapego às realidades imediatas, ideal da poesia e da prosa então em vigor.

Como observa Mário da Silva Brito em História do modernismo brasileiro<1> 1, o ano de 1921 é decisivo. Afinal, Graça Aranha era membro da Academia Brasileira de Letras e chegou mesmo a ser visto como o provável líder do novo movimento. Em toda a obra se percebe a vibração do poeta diante dos dramas obscuros da metrópole cosmopolita. Há nele uma doce ternura pela miséria da cidade e dos que nela se agitam, dando-lhe alma e colorido. Alguns, entretanto, acabariam sacrificados por sua atividade apologética, mas deixariam como herança a abertura dos caminhos através dos quais haveria de avançar a literatura brasileira.

Bem, vimos um pouco o que foi o trajeto histórico da ruptura desencadeada pelo modernismo. Embora influenciados pelas recentes conquistas do modernismo europeu, esses poetas desejavam preservar uma personalidade própria. O poeta passa a acreditar cada vez mais no valor específIco da palavra e no poder sugestivo do ritmo. Da imperturbável lógica parnasiana, que sufocou as próprias matrizes líricas da poesia, o poema evolui agora para a metalógica dos tempos modernos, o que iria conferir à linguagem uma força de sugestão e de associação desconhecida dos poetas anteriores. Muito mais do que qualquer outra coisa, o modernismo descortinava o reino ambíguo da poesia, esse reino que é por excelência o seu. Por outro lado, o poeta passa também a apostar em sua memória, na sua e na do leitor, deixando-o assim participar muito mais ativamente do que antes da realidade do poema.

Sou homeml vencedor das mortes, bem-nascido além dos dias. 

<1> Brito, Mário da Silva. História do modernismo brasileiro. I - Antecedentes da Semana de Arte Moderna, 5" ed., Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 1978. 

Referência:

JUNQUEIRA, Ivan. ?MODERNISMO: TRADIÇÃO E RUPUTURA?, in  Poesia Sempre. ? Ano !, n..1 (jan.1993). Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional, Dep. Nacional do livro, 1993. pp.153-168.




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