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Tomás Antônio Gonzaga (1744-1810)



  Tomás Antônio Gonzaga nasceu em Portugal, tendo estado no Brasil quando menino e retornando, já quarentão, para ocupar o cargo de ouvidor-mor em Vila Rica, capital da Província.

É bem conhecida, embora possa ser posta em dúvida, a posição do Ouvidor na Inconfidência Mineira, o que lhe valeu deportação para a África, interrompendo seu romance de amor com Maria Dorotéia Joaquina de Seixas, Marília, a inspiradora do poeta.

Poeta maior, Tomás Antônio Gonzaga. apesar de escrever segundo as normas neoclássicas, sendo talvez o maior árcade dos poetas brasileiros, adaptou-se inteiramente à escola e às suas regras. Sua poesia, por isso, às vezes nos soa falsa e até insensível, muito embora exista nela, frequentemente, um toque de realismo e sensualismo, ausentes da produção dos demais árcades do grupo mineiro.

A maior parte de sua obra poética é construída em função de sua noiva, motivo primeiro da maioria de suas liras. De linguagem fluente, elegante, com versos que se caracterizam pela extrema simplicidade, sua poesia agrada até hoje, sendo Gonzaga um dos autores mais lidos em Portugal e no Brasil.

Deixou-se impressionar pela natureza brasileira, bem como por atividades próprias do Brasil do século XVIII, como a mineração. Ao lado disso, encontramos com certa freqüência, em alguns de seus poemas, termos próprios do português do Brasil, cujo emprego decorre, às vezes, do próprio assunto de que trata.

Além de vasta obra-lírica, deixou Gonzaga as famosas Cartas Chilenas, obra que, durante vários anos, foi atribuída a vários autores, entre os quais, Cláudio Manuel da Costa, uma vez que circularam na Província, manuscritas e sem indicação de autoria. São ao todo 13 cartas, escritas em verso branco, nas quais o autor, que usa pseudônimo de Critilo, que figura estar no Chile (Minas Gerais), dirige-se a Doroteu (Cláudio Manuel da Costa) que se encontraria na Espanha (Portugal), narrando as arbitrariedades e desvarios do governador Fanfarrão Minésio (Luiz da Cunha Menezes).

As Cartas Chilenas, além de sua' importância como obra satírica, têm extraordinário valor do ponto de vista social e lingüística: já que tratam de importante período da história de Minas.

O problema da autoria das Cartas Chilenas parece, hoje, solucionado, e a maioria absoluta dos autores aceita Tomás Antônio Gonzaga como seu autor embora, provavelmente, Cláudio Manuel da Costa tenha também colaborado, corrigindo e emendando alguns de seus versos.

Tu não verás, Marília, cem cativos

Tirarem o cascalho, e a rica terra,

Ou dos cercos dos rios caudalosos,~ .

Ou da minada serra.

Não verás separar ao hábil negro

Do pesado esmeril a grossa areia,

E já brilharem os granetes de ouro,

No fundo da bateia

Não veras derrubar os virgens matos,

Queimar as capoeiras inda novas

Servir de adubo à terra a fértil cinza,

Lançar os grãos nas covas.

Não verás enrolar negros pacotes

Das secas folhas do cheiroso fumo;

Nem espremer entre as dentadas rodas

Da doce cana o sumo.

Verás em cima da espaçosa mesa

Altos volumes de enreda dos feitos:

Ver-me-ás folhear os grandes livros,

E decidir os pleitos.

Enquanto revolver os meus Consultas,

Tu me farás gostosa companhia

Lendo os fastos da sábia, mestra História,

E os cantos da Poesia.

Lerás em alta voz, a imagem bela;

Eu, vendo que lhe dás o justo apreço.

Gostoso tornarei a ler de novo

O cansado processo.

Se encontrares louvada uma beleza,

Marília, não lhe invejes a ventura,

Que tens quem leve à mais remota idade

A tua formosura.

(Gonzaga, Tomás Antônio. Obra Completa. Prefácio e notas de Rodrigues Lapa, Rio, I.N.L., 1957.)




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