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Raul Pompéia




Raul D'Ávila Pompéia nasceu em Jacuacanga (Estado do Rio), em 12 de abril de 1863, e suicidou-se no Rio a 25 de dezembro de 1895.





No Rio de Janeiro foi que passou grande parte de sua vida, e onde iniciou os estudos, completando o curso secundário. Em São Paulo, primeiramente, e em Recife, mais tarde, fez o curso de Direito. Mas foi, na verdade, à imprensa que se dedicou como profissional



Além de militar na imprensa, Raul Pompéia também se dedicou ao magistério, lecionando Mitologia na Escola de Belas Artes. Chegou ao cargo de Diretor da Biblioteca Nacional, em 1894.



A grande parte de sua obra está publicada apenas nos jornais em que trabalhou. Escreveu, além de O Ateneu (1888), Uma Tragédia no Amazonas (1880), Canções sem Metro ( póstuma, 1900), As Jóias da Coroa (póstuma, 1962). Esboçam-se no autor, pela primeira vez, a sátira e a crítica às autoridades constituídas, em As Jóias da Coroa, toda em folhetins, cujo alvo principal era a monarquia.



Ainda sem os recursos estilísticos e a marca de autor-maior, que se firmaria em O Ateneu, é que surge Uma Tragédia no Amazonas, romance (ou ensaio literário como o autor queria) pleno de concessões românticas, e a que não faltou nem o final trágico que lhe convinha. Após O Ateneu, surgem as Canções sem Metro, que teriam passado por três fases na composição, sendo que a intermediária, Microscópicos, eram histórias curtas, contos rapidíssimos. Sobre O Ateneu, vejamos o que nos dizem Antônio Cândido e J. Aderaldo Castelo: "É quase impossível resumir o seu enredo. Não se compõe aí uma tessitura dramática derivada e ao mesmo tempo determinante de um argumento ou de uma história narrada ou suscetível de reconstituição. Acumulam-se situações e experiências, como reflexos de caracteres e intenções, selecionados e comunicados do ponto de vista subjetivo do autor-personagem. Assim, a memória evocadora sofre contínuas interferências subconscientes, de forma a substituir a noção de tempo objetivo pela de duração interior e ir de encontro aos processos realistas então frequentes de abordagem ou observação da vida. O ângulo de visão do mundo ou da realidade é essencialmente subjetivo, impondo-se como o principal elemento de unidade da obra. Domina nela a presença de Sérgio, adolescente sob a vigilância esclarecedora de Sérgio adulto, na pessoa do romancista, pelo que se pode falar em autor-personagem. Essa correlação se impõe pela necessidade imperiosa de reconquistar o equilíbrio da experiência passada, mas que continua a atuar no presente de maneira opressiva."



Foi sempre um homem de lutas, engajado nos problemas do seu tempo, interessado na campanha abolicionista e nas questões políticas. Com isso, granjeou inúmeras inimizades, inclusive de Bilac. Quando da morte de Floriano, todos sabiam que Pompéia faria um discurso violento no cemitério, exaltando o morto. A tal ponto se comentou, que o próprio Presidente da República, Prudente de Morais, abandona o local antes que Pompéia pudesse iniciar seu discurso. E o desfecho foi o mais lamentável, como relata Edmundo Lys: "Luís Murat publica no dia 18 de outubro de 1895 um artigo insultuoso com o título - "Um louco no cemitério". Raul Pompéia, criatura hipersensível, sofreu grandemente, mas escreveu duas respostas que mandou aos jornais em que colaborava. Nenhum dos dois publicou essas respostas. Sentindo-se desmoralizado, retirou-se para sua casa, onde a mãe e a irmã procuraram debalde animá-lo. Era véspera de Natal. Naquela santa noite, abatido, completamente vencido, o grande escritor traçou algumas linhas: "Ao jornal A Notícia, e ao Brasil, declaro que sou um homem de honra."


Raul Pompéia levou consigo o mistério de um romance, Agonia, de que não se teve mais notícias. Confidenciou sobre o mesmo a Araripe Júnior, quanto ao plano e à temática da obra: "Se não me falha a memória, esse romance ia ter um personagem de nova espécie, que era a montanha do Corcovado. Haveria, no livro, o drama cruciante de um amor e de uma alma lutando com as agruras da vida física e dás imperfeições sociais. Esse drama seria um poema moderno, profundamente psíquico, ao qual ficaria iminente, como uma influência trágica, o mistério das florestas do Corcovado em oposição ao ruído do Rio de Janeiro. A montanha alcantilada e nemorosa seria como uma esfinge a desafiar a vida louca da cidade a decifrar o seu enigma. E a alma da mulher, ali, entre aquelas árvores seculares, posta na crise do amor pelo desprezo do vulgar, constituiria o teatro onde se devia representar o choque da vida com a sombra, do Sol com a Terra, da loucura com a morte."


A imaginação de Raul Pompéia era sombria; e esse romance devia acabar por converter-se em uma tragédia.



Bibliografia sobre o Autor



Araripe Júnior: Raul Pompéia, o Ateneu e o Romance Psicológico (Reedição em Obra Critica, casa de Rui Barbosa, 1960).



José Veríssimo: História da Literatura Brasileira (Francisco Alves, 1916).


Agripino Grieco: Evolução da Prosa Brasileira Qosé Olímpio, 1947).


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