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História da Cultura em Portugal (Vol II)



O humanismo: carácter geral e tendências

O humanismo é um movimento revisionista, antitradicionalista, nascido da crise do feudalismo europeu, lançado contra a ordem de valores feudal e tendo como principal instrumento a literatura e a ciência greco-latina restauradas.

Concentrando os seus ataques na escolástica e na mentalidade que ela representa, contrapõe-lhe a análise concreta aplicada aos textos dos autores antigos, restituídos à sua forma original, segundo um método filológico e histórico que visa apurar o seu miolo substancial, o seu conteúdo ideológico, psicológico e científico.

Sob o ponto de vista religioso, procuram fixar o texto do Novo Testamento. A concepção de religião do Humanismo consistia numa vivência íntima, numa consciencialização individual, obrigando a uma coerência pessoal entre as crenças e os actos.

No campo social, os humanistas criticam a hierarquia feudal, propondo em substituição um novo tipo de selecção social com base no saber e o espírito de tolerância e arbitragem. Preconizavam o regresso ao latim clássico e com a restauração da letra e do espírito do texto evangélico, mas não se preocupavam em pô-lo ao alcance do vulgo traduzindo-o na língua vulgar.

O conflito entre ciceronianos e erasmistas revela-nos duas concepções de humanismo, o humanismo predominantemente estético, realizando literariamente um ideal de vida que tem por base uma revalorização das formas da Natureza captadas pelos sentidos, e o humanismo predominantemente filosófico e religioso, que visa uma reforma moral e religiosa.

O humanista típico é o intelectual desligado da técnica produtiva, o seu critério de verdade é o da coerência, e não o da eficiência, pelo que o experimentalismo e o estudo dos clássicos da ciência, apesar de liados em alguns homens como Versálio, têm uma existência independente e até por vezes contraditória.

Como crítica dos valores feudais, o humanismo tem consequências imediatas mais fulminantes do que o experimentalismo, já que opunha a uma mentalidade elaborada uma outra mentalidade também elaborada. As consequências do experimentalismo só lentamente se iriam verificar, num processo mental aplicado parcialmente na resolução de problemas técnicos que constituía também um método geral com uma filosofia implícita, incompatível com a escolástica.

Não se pode falar assim de ?humanismo português? que teria o experimentalismo como característica própria. Não houve uma ofensiva conscientemente conduzida contra a escolástica da parte dos representantes da ciência náutica portuguesa, nem uma consciência antifeudal a caracterizá-la como conjunto. A tendência experimentalista não pode portanto considerar-se uma forma de humanismo.

Em Portugal e Espanha, para afirmar a sua supremacia, o poder tomou a iniciativa de reformar certos institutos religiosos mais ou menos decadentes. E é assim que quer D. Manuel, quer D. João III, viram a conceder bolsas no estrangeiro.

O Rei de Portugal procurou qualificar os infantes para uma acção dirigente na Igreja portuguesa. Os humanistas estrangeiros e portugueses (Aires Barbosa, André de Resende, Nicolau Clenardo) formados nas grandes escolas estrangeiras estavam naturalmente indicados para lhes a preparação necessária.

Também a educação do funcionalismo superior e da nobreza dirigente pedia concurso dos humanistas. O mesmo pensamento de equipar intelectualmente o grupo dirigente explica a estadia em Portugal de humanistas, como, já no reinado de D. João II, Cataldo Sículo, que iniciou na cultura clássica o bastardo deste rei e numerosos outros membros da corte.

Assim, é por intermédio da corte, pelo seu impulso e pelas suas necessidades de equipar culturalmente o funcionalismo, e da aristocracia dirigente que Portugal se relaciona com a cultura humanística. Pode dizer-se, em resumo, que o Poder Central monopoliza as relações de Portugal com o humanismo europeu, e isto no interesse da própria centralização política, económica e religiosa que se processava, paradoxalmente, a favor de um grupo dirigente feudal. 



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