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Soneto: o que é e a sua estrutura.



 SONETO - Forma fixa de 14 versos, constituída segundo o modelo petrarquiano de 2 quadras e 2 tercetos, as primeiras com 2 ordens de rimas e os últimos com outras 2 ou 3 ordens de rimas. Nesse modelo, embora haja outras disposições, é mais freqüente que as rimas sejam abraçadas nas quadras e alternadas nos tercetos: a b b a / a b b a / c d c / d c d. O vocábulo "soneto" já existia em provençal e francês como diminutivo de son ou sô (provençal), que designava a ária da canção, e, daí, a própria canção: é o sentido de "sonnet" no Roman de Ia Rose: "Lais d'Amours et Sonnets courtois". A forma fixa parece ter sido inventada, como derivação do "strambotto", pelo poeta siciliano Giacomo da Lentino, que floresceu na primeira metade do século XIII. A primeira parte obedecia a um princípio par, de 8 linhas decassilábicas com rimas alternadas; a ,segunda parte, de 2 ter? cetos, seguia diretriz ímpar. Isso porque o soneto era musicado, e nos tercetos a melodia mudava. Era possível que o soneto tivesse apêndice: um dístico (rima baciata), que se seguia ao segundo terceto, forma que teve certa voga no século XIV na Itália (sonetto caudato). Essa variedade ficou conhecida em nossa língua como soneto com estrambote (de 1 verso, 2 ou 3) ou cola, como alguns de Camões, em que na cauda havia 1 verso heróico e 2 quebrados de heróico.


O soneto vulgarizou-se em Portugal com a volta de Sá de Mi? randa de sua viagem à. Itália, e logo adquiriu celebridade com Camões. Em nossa literatura tem sido usado desde * Gregório de Matos e * Manuel Botelho de Oliveira, bastante empregado pelos árcades, seu uso diminuiu muito entre os românticos, mas entre os parnasianos seu reinado foi despótico. Também os simbolistas dele se valeram com grande freqüência, para afinal sofrer quase total proscrição, no início, entre os modernistas. * Mário de Andtade, contudo, escreveu o "So-



neto do Homem Morto" (1924), e * Manuel Bandeira também o cultivou. Na geração de 30, * Vinícius de Morais o pôs em certa voga, e na geração de 1945 muitos poetas o praticaram com relativa freqüência, como * Ledo Ivo, * Domingos Carvalho da Silva, * Geir Campos. Este chegou a fazer uma "coroa de sonetos", ou seja, uma série de 15 sonetos na qual o último verso do primeiro soneto é o' primeiro do segundo, o último do segundo, o primeiro do terceiro e assim por diante, até que os 14 últimos versos se reúnem num único soneto de sentido completo, o décimo quinto (modalidade mais simples de "coroa de sonetos" ostenta 7 sonetos apenas, como "La Corona", de John Donne). Em nossa literatura, deve-se p,ôr em relevo que durante o * Parnasianismo e Pós-Parnasianismo sé escreveram sonetos em * alexandrinos quando a norma anterior era usar * decassílabos, e que foram usados também os outros metros, esporadicamente (até de 1 sílaba, no "Soneto Monossilábico", de * Martins Fontes). Também durante o Parnasianismo se usaram curiosos tipos de soneto, como o de tercetos à frente (p. ex, ;'Luís Delfino, "Pólen de um Beijo", "Um Cristo de Registro", "Ocultismo", de Algas e Musgos) ou de tercetos entre as quadras (como "Santas Esmolas" ou "A Avó", de * Raimundo Correia), bem como sonet()s de metros desiguais (12 e 6 ou 10 e 8 em Raimundo Correia, 12 e 8, 12 e 6, 10 e 6, 7 e 4 em * Machado de Assis) ou de ordem irregular de rimas (quadras com rimas independentes uma da outra, segundo o modelo baudelairiano, ou de mais complicados esquemas, p. ex., a b b c / a d d c, "Elmani Tabernula", de Raimundo Correia, ou a b a c / b a b c, "No Alto", de Machado de Assis, que se valeu em soneto até de rimas emparelhadas. Nessa irregularidade figura também o fato de, nas quadras, rimas cruzadas na segunda sucederem rimas abraça das na primeira ou vice-versa. No * Modernismo, Manuel Bandeira publicou dois "sonetos ingleses", nos quais há 3 quadras de rimas cruzadas e independentes entre si e mais 1 dístico de rima emparelhada e também independente. Esse modelo (também chamado elisabetano ou shakespeariano) foi empregado na Inglaterra, pela primeira vez, por Henry, Conde de Surrey (publicação em 1557, Tottel's Miscellany) e se vulgarizou enormemente a ponto de ser adotado por Shakespeare. Ainda em nosso Modernismo, * Augusto Frederico Schmidt usou sonetos em decassílabos brancos ou em versos livres também sem rima. Representantes de gerações mais recentes voltaram aos sonetos regulares; alguns poetas usam o modelo inglês e o heterométrico, como Jair Gramacho (Sonetos de Edénia e de Bizáncio, 1959). Outros poetas, contudo, usam ordens irregularíssimas de rimas (Renata Pallottini, Livro de Sonetos, 1961).


CONSULTAR: Janet G. Espiner-Scott, notas à sua edição de Claude Fauchet, Recueil de <'Origine de la Langue et Poésie Française, Rymes et Romans, livre ler, Paris, 1938; eLes Sonnets . Élisabethains, Paris, 1929; Mario Praz, The Flaming Heart, Nova Iorque, 1958. Para o soneto em Portugal, ver Antônio Coimbra Martins, voc. dir. no Dicionário das Literaturas Portuguesa, Brasileira e Galega, dir. de Jacinto do Prado Coelho, Porto (1960).





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