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Lutero E MAQUIAVEL ? A ÉTICA DO PRAGMATISMO RENASCENTISTA (parte 2)



A partir do século XIII toda a Europa experimentava um forte movimento de expansão urbana. O crescimento populacional fortalecia a pressão por uma maior necessidade de suprimentos (ainda que as péssimas condições sanitárias promovessem a proliferação de endemias e elevado nível de mortandade).

Mas à medida que ocidente caminhava para o século XV fortalecia uma tensão entre estruturas cristalizadas da organização medieval com a consciência crescente da ruína moral da organização que chancelava o pensamento medieval ? a Igreja Católica. Um importante movimento religioso, liderado pelo teólogo alemão Martinho Lutero, promoveu um ruptura com a Igreja Católica, no ano de 1517. Este movimento, conhecido como, Reforma destrói a crença da unidade da fé cristã, dos dogmas e cerimônias, e, sobretudo da autoridade religiosa, incentivando os fiéis à leitura das escrituras. Dois resultados culturais decorrem dessa nova atitude: por um lado, o desenvolvimento de escolas protestantes para alfabetização dos fiéis, por outro lado, o direito político à desobediência civil face ao papado e aos reis e imperadores católicos.

Nesse contexto polêmico, freqüentemente autoritário e violento que se desenvolve a Filosofia Moderna do século XVII. Com Lutero fortalece novos conceitos, que darão base moral e ética ao mercantilismo.

No ponto de vista da economia um importante aspecto é a noção do trabalho livre, fundamental para a nova empresa do capitalismo. A indústria naval portuguesa possui a forte marca de um empreendedorismo nascente. Ao mesmo tempo em que constitui um grande empreendimento como produção naval, representa uma nova tecnologia destinada a ampliar espaços de dominação e de comércio. O desenvolvimento da mentalidade capitalista, de acordo com a tese de Max Weber - esteve intimamente ligada à idéia religiosa de uma vocação (ou chamado), que surgiu com Lutero. No ideário da Reforma estava a noção de uma obrigação moral de cumprimento do dever, por parte de cada indivíduo, nas atividades temporais. Esta idéia de uma vocação temporal projetou o comportamento religioso no mundo secular. Ela foi enfatizada por algumas seitas puritanas, que consideravam a atividade temporal e as recompensas materiais resultante do comportamento empreendedor como um sinal de predestinação divina. Assim nasce a ética protestante, na qual o trabalho árduo, diligente e o êxito temporal foram equiparados à virtude. Por outro lado havia um desprezo pelo consumo além dos limites necessários ( limites estes bem estreitos), favorecendo a acumulação de riqueza, que era permitida desde que combinada com uma carreira laboriosa. Durante os séculos XVI e XVII, enquanto os novos valores do individualismo, os direitos à propriedade e o governo representativo levavam ao declínio o tradicional sistema feudal e minavam o poder da aristocracia, acreditava-se que o caminho de uma nação para a riqueza estava na acumulação de dinheiro através do comércio externo. Os grandes saques a metais e pedras preciosas ocorridos principalmente na América Latina, por países europeus, datam desta época.

Mas no cenário político é sempre bom lembrar que a Renascença italiana ocorreu em uma velocidade maior que nas demais regiões européias. Nesse sentido, apresenta algumas particularidades e situações inovadoras em relação a tal momento histórico.

Na Itália, já no século XII, apresentava-se uma nova forma de organização política e social, preponderantemente ao seu norte. Aqui dois aspectos são relevantes:

1) A sociedade italiana perdera seu caráter feudal - praticamente todo país estava dividido entre cidades e a autoridade destas era notória aos cidadãos;

2) as cidades haviam desenvolvido uma forma de vida política conflitante com a convicção do período, que julgava ser a monarquia hereditária a única forma correta de governo. O ideal de liberdade convertera muitas cidades italianas em repúblicas independentes.

Do ponto de vista das instituições o que se presencia na Itália e em toda a Europa é um quadro de profunda instabilidade. A sucessão de guerras e crises (Peste Negra e grande depressão na produção de alimentos) criava sentimentos ambíguos no meio da sociedade: ao mesmo tempo em que aumentava um forte desejo de liberdade, prevalecia a percepção de que eram necessárias organizações estáveis e um quadro de paz.

Este é o cenário em que Maquiavel elabora suas reflexões e produz suas teses sobre o Estado. Sua obra mais notória - O Príncipe é considerada por muitos um manual de instruções, em que a ação políticas pode ser praticada despida de uma ética de princípios. Nesse sentido, o autor apresenta, na obra, regras observadas da experiência histórica, as quais poderiam contribuir, segundo ele, para a construção de um governo novo ou para a manutenção daquele já existente. Antes mesmo de observar O Príncipe de Maquiavel no contexto da Renascença, cumpre analisá-lo internamente. Essa obra foi escrita em 1513, em um momento em que Maquiavel fora obrigado a afastar-se dos negócios públicos de Florença. Durante o século XVI, começou a predominar a linha de pensamento, amadurecida n?O Príncipe. Esta dava preponderância à segurança dos reinos com o estabelecimento de governos absolutistas, frente à liberdade das repúblicas, pois mesmo que aquela forma de governo cerceasse com maior vigor a liberdade privada representava maior possibilidade de resistência em casos onde fosse posto à prova.



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