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Cyro dos Anjos: O Amanuense Belmiro



Cyro Versiani dos Anjos escritor mineiro, nascido em Montes Claros, onde viveu até a juventude. Estudou Direito em Belo Horizonte. Depois de formado trabalhou como advogado, funcionário público e jornalista. Exerceu importantes cargos públicos e chegou inclusive a ser leitor de Estudos Brasileiros no México e em Portugal. Pertence à Academia Brasileira de Letras. Sua obra mais importante é O Amanuense Belmiro, romance com estrutura de diário íntimo.

Veja: "Mas, na noite em que comecei de novo a folheá-las, ocorreu outro empecilho: o estado de saúde das velhas. Falarei nisso amanhã".

A personagem principal é o narrador Belmiro, funcionário público, como você pode observar pela seguinte transcrição:

"Na verdade nunca tivemos serviço, e jamais conheci ficção burocrática mais perfeita que a Seção do Fomento ... ".

Belmiro vive com as duas irmãs, as velhas. Tem 38 anos e tenta recompor sua infância passada em Vila Caraíbas. Observe:

(. .. ) "se compromete meu plano de ir registrando lembranças de 1ma época longínqua e recompor o pequeno mundo de Vila Caraíbas, tão sugestivo para um livro de memórias".

Belmiro é um ser que se coloca à margem da vida, não participa dos acontecimentos, fica de fora tentando analisar os acontecimentos e a si mesmo:

"Devo retificar, nesta página, o que atrás foi dito sobre o amanuense que espia o amanuense e lhe estiliza o sofrimento. Observo agora que o namorado, no momento preciso de sua agitação sentimental, não é capaz de se desdobrar ao ponto de permitir que, quando o coração bate desordenadamente, o espírito, astuto e interessado, lhe observe os movimentos para os fins literários".

De certo modo, Cyro dos Anjos realizou o romance intimista que estuda a alma humana, sendo por isso um romancista da linha de Machado de Assis.

Detalhes do romance:

O romance é narrado na primeira pessoa pela personagem central, Belmiro Borba, solteirão tímido e sonhador, dotado de grande capacidade para analisar a si próprio e aos outros, que vive modestamente em Belo Horizonte com duas irmãs, "as velhas". Numa noite de Natal, resolve iniciar uma espécie de diário, para registrar o quotidiano e evocar a infância em Vila Caraíbas, cuja saudade o persegue como doce obsessão. Vemos então o desenrolar das suas meditações, o seu convívio com um grupo de amigos (Jandira, Silviano, Florêncio, Redelvim, Glicério), a sua paixão distante por uma jovem desconhecida da alta roda (Carmélia), identificada na sua imaginação a uma personagem de lenda (a Donzela Arabela) e despertando na memória a lembrança de uma namorada juvenil (Camila). Em tudo se nota que Belmiro foge à ação por meio do sonho e da reflexão, dissolvendo de certo modo a realidade pela excessiva aplicação da inteligência.

Obras do autor:

? Romance: O Amanuense Be/miro (1937); Abdias (1945); Monta-

nha (1956).

? Ensaio: A Criação Literária (1954).

? Memórias: Explorações no Tempo (1952).

? Poesia: Poemas Coronários (1964).



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