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Agustina BESSA-LUÍS



  Maria Agustina Bessa-Luís nasceu em Vila Meã (Amarante), em 1923.

Tem viajado pelo estrangeiro. Vive atualmente no Porto. Inicíou sua carreira em 1948, com Mundo Fechado ( romance). Entretanto, não alcançou maior atenção da crítica senão em 1953, com a publicação de A Sibila, sua mais bem realizada obra até hoje, e que mereceu seguidamente dois prêmios: "Delfim Guimarães" e "Eça de Queirós. Dai para diante, suas criações só têm confirmado a impressão que logo se generalizou: trata-se de uma aparelhagem nova de romancista, suficientemente forte para significar um "momento" de alta tensão na trajetória do romance contemporâneo em Portugal. É, sem favor, um "caso", uma romancista privilegiada, graças à poderosa imaginação que tudo transfigura e vivifica ao mesmo tempo, dando às pessoas e às coisas um caráter de autenticidade de profunda raiz artística. Imaginação criadora e recriadora, porquanto a romano cista não só arquiteta o plano fictício em que a narrativ se desenrola, como também lhe ;unta seguidos dados da observação direta ou indireta da realidade psicológica e material que lhes está intimamente relacionada. Cria-se, assim, uma espécie de identidade entre o plano do ideal e o do real, de molde que toda noção de espaço, de tempo ou de qualquer outra medida, desaparece diante duma noção total ou multíplice, que traduz, a perenidade dos dramas e das coisas. A inespacialidade e intemporalidade geram uma confusão de planos que anula a ordem lógica dos acontecimentos e lhes dá uma ordenação metafísica, digamos, ou ultrapsicológica, como se um vinculo fenomenológico existisse entre pessoas, acontecimentos e lugares. Está claro que este processo tende a comprometer o romance como fabulação corrida e inteira, e a transformá-lo em qualquer coisa como epopéia romanceada, tal o caráter mitológico que as personagens vão adquirindo, movimentando-se, como se movimentam, num mundo que não percebemos a olho nu, e que é, sem dúvida, aquele denso mistério a orientar os homens e a fazê-los estranhos entre si. A diluição da personagem como entidade "fotografada" exteriormente corresponde à diluição dos pontos de referência, de quem sonda o mais-além, o obscuro, o recôndito, no passado ou no futuro, a lembrar Proust e seu mergulho no tempo, e Kafka, a encontrar lógica no absurdo e no exótico. Eis, em síntese, a ficcionista cuja grandeza de ideação e fantasia logo a impôs como dos maiores escritores surgidos no após-guerra.

BIBLIOGRAFIA DA AUTORA:

Mundo Fechado, Lisboa, 1948; Os Super-Homens, Lisboa, 1950; Contos Impopulares, Lisboa, 1951-1953; A Sibila, Lisboa, 1953; Os Incuráveis, Lisboa, 1965; A Muralha, Lisboa, 1957; O Susto, Lisboa, 1958; O Inseparável (teatro), Lisboa, 1958; Guerreiros, Lisboa, 1960; O Manto, 1961; Embaixada a Calígula, Lisboa, 1961; O Sermão do Fogo, Lisboa, 1963; As Relações Humanas, Os Quatro Rios, Lisboa, 1965; As Relações Humanas, A Dança das Espadas, Lisboa, 1966; As Relações Humanas, Canção Diante de 'Uma Porta Fechada, Lisboa, 1966.

A RESPEITO DA AUTORA:

ANTUNES, Manuel - "Os Incuráveis: Um Grande Romance", In: Brotéria, Lisboa, vol. 63" no" 2, págs. 195-199.

QUADROS, Antônio - "Os Romances de Augustina Bessa-Luis", In: Critica e Verdade, Lisboa, Liv. Clássica <1941l, págs. 168-l76.

VASCONCELOS, Taborda de - "Bessa-Luis, O Romance e a Arte de Escrever", In: Cidade Nova, Coimbra, 'série 3, no" 6, jul., 1954, págs. 370-3072. - "Os que vieram depois...", In: Estrada Larga, Antologia do Suplemento "Cultura e Arte", de O Comércio do porto. (org. por Costa Barreto), Porto, Porto Ed., à.d., págs. 539-543.

A SIBILA

É, por assim dizer, um romance destituído de enredo.

Tudo se passa no plano mental das personagens, desobedecendo a qualquer ordem lógica ou cronológica rigorosa. Do casamento entre a ingênua e simples Maria com Francisco Teixeira, galante e sedutor mesmo depois de casado, nascem Estina e Quina, além de três rapazes. É, portanto, a vida íntima duma família afidalgada de província que se desdobra aos nossos, olhos. Quina, com seu feitio especial, é a sibila. A cena seguinte narra a morte de Maria. A vida continua para as demais personagens, num repetir de atos que semelha, brotar duma vontade superior aos desígnios individuais. 

 




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