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Liderança e hierarquia em Alencar
Silviano Santiago é um dos críticos culturais mais importantes da contemporaneidade brasileira. Em seu artigo ? Liderança e hierarquia em Alencar? (In: Vale quanto pesa. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1982. p. 89-115), alguns temas-chave para a compreensão reflexiva da formação cultural brasileira são: identidade, liderança e hierarquia; as dicotomias começo versus origem, nacionalismo e cosmopolitismo, sentimento\emoção versus razão, Brasil versus Europa e natureza versus cultura; além de política, história e nativismo. Silviano Santiago defende que o interesse que os textos do período colonial apresentam não é pelos moradores que se para cá vinham, mas pelos que, ao adotarem a nova nação ou já nativos nela, tentavam descrever a si mesmos e à terra em gestos de independência (relativa, é bom que se saliente) com relação a Portugal. Assim, os nativos eram de carne e osso, mas não existiam. O processo de definição do ser político-social brasileiro é analisado pela ambigüidade da liberdade: tanto é livre a terra sob o poder de D. Antônio de Mariz, personagem de José de Alencar (no romance O guarani) quanto o foi sob o poder do ?rei das florestas? (o selvagem nativo). No encontro das duas nobrezas sairia o chefe da nação tropical. Para Silviano Santiago, José de Alencar ?adivinhou? o passado brasileiro por meio de uma forma literária, na qual explicitou o discurso do chefe, empresário no Novo Mundo. E no tom geral, o texto sob análise ecoa as teorias de Michel Foucault.
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