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História da Cultura em Portugal - A Cultura em Portugal na Idade Média



A cultura precisa de certos meios, de certa técnica para se realizar e divulgar. Nas sociedades primitivas o veículo principal da cultura é o canto e a recitação. Em sociedades mais evoluídas, o grande instrumento de cultura é o livro impresso ou manuscrito.

O livro manuscrito da Antiguidade exigia uma grande massa de escravos ocupados na cópia; o da Idade Média certo número de conventos consagrados ao mesmo trabalho. O livro supõe da parte dos seus industriais certos meios de produção - máquinas, trabalhadores, capital, etc., e da parte do seu público um determinado poder de compra.

A estrutura da sociedade condiciona a produção livresca, aumentando-a ou restringindo-a, seleccionando os originais, autores, temas, etc. Mas por sua vez a mencionada técnica reage sobre aquela estrutura, tornando mais ou menos económica a produção do livro e mais ou menos difícil o seu monopólio.

Uma sociedade dispõe de certos órgãos destinados a conservar a cultura tradicional e a transmiti-la às gerações mais novas: as escolas, academias e outras instituições, que dependem do poder central, do órgão ou órgãos dirigentes da sociedade, e defendem, por isso, em geral, os interesses culturais do grupo social que dispõe do poder. São estes os meios e agentes de cultura.

Relativamente ao conteúdo da cultura, as relações entre os membros de uma dada sociedade supõem certas normas de procedimento universalmente válidas, e a própria subsistência da sociedade supõe certas noções acerca da natureza material, que permitam ao grupo social defender-se, e reagir sobre o meio físico.

A IDADE MÉDIA ATÉ À CRISE DO SÉCULO XIV

Decorre desde a época da constituição da monarquia até às origens da revolução político-social que terá o seu desfecho nos acontecimentos de Lisboa em 1383 e na eleição do mestre de Avis no ano seguinte.

Antes do século XV, Portugal não constitui um núcleo de cultura, apenas recebe o reflexo da cultura europeia, e em especial da castelhana, através das ordens religiosas e dos jograis. A poesia galego-portuguesa, nascida em Santiago de Compostela, irradiou para toda a Península a partir da corte dos reis de Castela, e de lá vem para Portugal, onde foi cultivada sobretudo na corte de Afonso III.

A cultura monástica dos conventos em Portugal tinha um carácter europeu, até porque os dois maiores representantes portugueses do pensamento medieval, Santo António de Lisboa e o papa João XXI, tiveram maior projecção fora de Portugal.

O conjunto das obras faladas ou escritas é aquilo a que chamamos literatura, sabendo-se que ela está subordinada às crenças fundamentais e à síntese do universo que são a religião e os postulados da ciência. A literatura é também o principal documento do historiador da cultura.

Deve-se a Teófilo Braga a única tentativa para integrar o conjunto da posição literária portuguesa nas condições sociais que lhe serviram de ambiente.

Sob o ponto de vista político, a cultura portuguesa é inicialmente um feudo da Santa Sé. Mas assim como o Estado e a sociedade se vão organizando em torno das cidades marítimas e da respectiva população burguesa, estruturados por uma autoridade central progressivamente mais forte, assim a cultura vai criando raízes no território de Portugal. Em fins do séc. XIII, a universidade já concorre com as ordens monásticas, e na corte, já se produzem traduções de textos jurídicos, históricos e literários.

Outra característica da cultura portuguesa nesta fase da Idade Média é o seu arcaísmo relativamente à do mundo ocidental. Desde a segunda metade do século XII e ao longo do século XIII, aos conventos sucedem-se as universidades como focos de cultura e do ensino.

Em Portugal, continuam a dominar, salvo raras excepções, os padres da Igreja e os compiladores do fim da Antiguidade, com o predomínio dos conventos, especialmente o de Alcobaça, na elaboração cultural, durante os séculos XIII e XIV.

A universidade portuguesa, tal como a cultura em geral, aparece também com atraso de vários decénios sobre as suas mais antigas congéneres europeias.

A TRANSIÇÃO PARA A IDADE MODERNA

Desde fins do reinado de D. Fernando até fins do reinado de D. João II, os conventos conservam as principais bibliotecas e escritórios de manuscritos. A Universidade mantém sensivelmente os seus programas e métodos de ensino, subsiste ainda uma cultura de inspiração senhorial, e a joglaria mantém-se, já degradada.

A posição relativa dos vários centros de cultura modifica-se em vantagem da corte, e inicia-se uma actividade cultural relativamente autónoma, impulsionada pela crise social e política que opõe a burguesia de Lisboa e Porto à nobreza feudal, apoiada pelo Rei de Castela.

Este reforço da autoridade do rei e a concentração de poderes da nobreza, este enriquecimento resultante das empresas ultramarinas, dão à corte um papel cultural muito mais activo. A corte tem agora um nível social mais elevado para fazer nascer uma literatura própria, e compete com os mosteiros na criação literária, nas traduções e na produção do livro.

Um dos reflexos desta centralização política é a subordinação cada vez mais estreita da Universidade aos reis. Além da corte, o único foco de cultura importante continua a ser o mosteiro de Alcobaça, logo seguido pelo de Santa Cruz de Coimbra.


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