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Renascimento Científico em Portugal - História da Cultura em Portugal



Ao longo das navegações portuguesas, os navegadores substituíam ponto por ponto a herança empírica tradicional, adaptada a condições diversas das que eles enfrentavam, por um conjunto de regras ainda empiricamente elaboradas, mas resultantes de uma experiência nova e da colaboração da ciência teórica dos astrónomos. Uma observação directa e sistematicamente exercida sobre a natureza tendia assim a sobrepor-se aos práticos da náutica. A realidade concreta e experimentada provava inequivocamente a gratuitidade de muitos dos mitos mantidos durante séculos.

Muitas das supostas conquistas definitivas do homem sofriam dia a dia, em consequência dos Descobrimentos, profundas correcções ou totais desmentidos. É, pois, provável que a partir de meados do século XV se tivesse começado a desenhar entre os pilotos, os marinheiros e os mercadores que seguiam nas caravelas a tendência para considerar os dados experimentais como o ponto de partida de um conhecimento positivo e para receber com cepticismo uma boa parte da cultura letrada.

A verdade, está, portanto, do lado de quem tomou conhecimento dos factos através de uma experiência pessoal, de nada valendo o que os livros das autoridades afirmam se estiver em contradição com as observações de quem viu ?grande parte do mundo?.

No Esmeraldo de situ orbis, escrito com o objectivo de preparar um guia para navegadores, Duarte Pacheco socorre-se dos textos clássicos e, verificando o desacordo entre o que neles encontrava e o que aprendera por observação directa, procura uma prova positiva e lógica que lhe confirme os dados da experiência, ou seja, faz um apelo ao conhecimento experimental, controlado pela razão.

Duarte Pacheco, ao integrar os dados da observação numa explicação total, servia-se de um método que, em íntima dependência das provas experimentais, levava a estabelecer um conhecimento racional e, portanto, científico da realidade. No entanto, se Duarte Pacheco regista e relaciona os dados experimentais e crítica, fundado neles, a ciência livresca, também raramente formula hipóteses.

A intervenção dos astrólogos nos trabalhos da náutica deve ter sido decisiva para se mostrar este sentido possível e fecundo no progresso do conhecimento. Foi, na verdade, da aliança entre o empirismo renovador, praticado pelos marinheiros, e a teoria astrológica e cosmográfica que se induziu ser o método experimental o mais adequado na investigação do conhecimento da natureza.

Quando os resultados colhidos por pilotos e, navegadores e astrólogos mostraram que esse conhecimento era profundo, logo foi generalizado a outros domínio das ciências da Natureza. Os Roteiros, de Castro, os Colóquios dos Simples e Drogas da Índia, de Orta, ou o De Crepusculis, de Pedro Nunes, documentam este impulso orientado para uma justa valorização das provas experimentais.

Em suma, pode dizer-se que as viagens se caracterizaram por uma tendência para fixar as bases de um conhecimento positivo sobre os problemas concretos do mundo real.



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