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Politicagem e Pornocracia Papais



No mesmo dia da morte de Paulo I, o duque Toto nomeou, por sua iniciativa, o seu próprio irmão como sucessor. Este, Constantino II, não era nem sequer clérigo. Em 768, outros nobres lograram apoderar-se dele, furaram-lhe os olhos e o enclausuraram num convento. O rei dos lombardos, aproveitou a ocasião, sem dúvida para poder recuperar seus antigos territórios, para nomear um Papa de seu agrado. Se chamava Filipe e pelo menos era monge. Foi deposto no mesmo dia de sua consagração e se retirou velozmente para seu convento. No dia seguinte, os francos impuseram Estevão (II). Para evitar que se repetissem casos como o que acabava de protagonizar Constantino, se decretou que apenas poderiam ser candidatos os sacerdotes e os diáconos, excluindo expressamente os leigos. Se retirou ao povo de Roma todo o direito a eleger o bispo/papa e se reservou tal privilégio, exclusivamente, ao clero. Esta última disposição, tão contrária ao que já era costume imemorial, seria durante muito tempo ainda letra morta. Há bastantes exemplos comparáveis no século IX, mas no século X os níveis de degradação do papado alcançaram níveis dificilmente superáveis. O século começou com a eleição de Leão V em 903, e apenas quatro meses depois já foi encarcerado por seu sucessor Cristóvão, o qual viria a fazer-lhe companhia em menos de cinco meses. Os dois foram rápidamente degolados por ordem de Sérgio III. Este assassino de seus predecessores, inaugurou um período do papado batizado no século XVIII, com o famoso nome de « pornocracia».

Sérgio que já fora eleito Papa em 897 mas foi forçado a dimitir-se em favor de João IX, voltou com sede de vingança. Voltou graças à ajuda da esposa e das filhas (Teodora a Maior, Teodora a Jovem e Marozia) de um primo que se tinha apoderado do controle civil de Roma. As três mulheres, libertinas e ambiciosas controlaram direta ou indiretamente o papado durante os seguintes 40 anos. Marozia tinha casado com Alberico de Espoleto mas foi durante vários anos amante do Papa e teve um filho com ele. A boa Marozia que se deixou atribuir o título de "Senadora dos Romanos" e sua mãe, nomearam entre as duas nada menos que 7 papas entre 904 e 931.Destes, 4 foram assassinados por ordem direta de Marozia. Em março do ano 931, decidiu fazer Papa a seu próprio filho nascido de sua relação adúltera com Sérgio III. João XI foi de uma docilidade exemplar mas também acabaria encarcerado por ordem de sua mãe.

Finalmente em 935, Alberico II de Espoleto, um filho que Marozia tivera de seu primeiro matrimónio, se revelou contra o insuportável despotismo de sua mãe. Pouco a pouco foi ganhando para sua causa à nobreza e num belo dia mandou Marozia e seu irmanastro, o Papa, para a prisão onde os dois morreram pouco depois. A pornocracia tinha chegado ao seu fim. Alberico II de Espoleto era o árbitro de Roma.

Quando seu irmanastro, o Papa João XI, morreu na prisão, Alberico fez eleger, em 3 de Janeiro do ano 936, un monge beneditino, Leão VII. Mas este e seus sucessores, Estevão VIII, Marino II e Agapito II,

ficariam tão submetidos ao duque como seus predecesores o haviam estado a sua mãe, Marozia. Alberico de Espoleto, bom filho de sua mãe, foi-se tornando mais déspota conforme envelhecia. Amo absoluto de Roma e dos Estados da Igreja, se dava conta, porém, de que os direitos do Papa ao governo da Urbe e dos ditos Estados era indiscutível. E acreditou então que tinha hachado a solução genial: quem sucedesse a ele, em vez de reinar com o Papa, deveria, simplesmente, ser o Papa.

Em consequência, antes de morrer, em 954, fez jurar a Agapito e aos romanos que, quando falecesse o pontífice reinante, o novo Papa seria seu próprio filho e herdeiro, Octaviano. Agapito morreu pouco depois e, como combinado, sucedeu-lhe Octaviano com o nome de João XII. Tinha dezasete anos! Não haja dúvida que o menino tinha herdado os genes de sua avó e bisavó; estava completamente corrompido. Sua residência pontificia de Latráo se encheu de mulheres, eunucos e escravos e se converteu em cenário de excessos e de orgías em que o pontífice se movia como peixe na água. Além disso, era um homem perfeitamente inculto que até ignorava o latim. Na sua habitual gíria grosseira jurava por Vénus ou por Júpiter e brindava pelos amores do diabo. Um dia teve o capricho de ordenar um diácono numa quadra, e, noutra ocasião, consagrou bispo um rapaz de dez anos.


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