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Intolerância Religiosa na Igreja



Até ao surgimento do cristianismo as religiões solares tinham representado, na essência, uma espécie de monoteísmo solar confederado. Muitas religiões, mas tão similares se não idênticas entre si, que apenas eram diferentes nos nomes da Deusa e dos "deuses", facto atribuível a diferenças linguísticas, geográficas e, em menor medida, culturais. Não é de estranhar que a tolerância religiosa fosse total e que os viajantes de qualquer etnia não vacilavam em adorar a Deusa em templos alheios sob uma multitudão de aspectos locais, e da mesma forma tributavam as suas promessas aos deuses solares. A grande excepção foi o Judaísmo.

Apesar do Antigo Testamento estar cheio de referências solares, os hebreus desde o princípio se consideraram como os únicos conhecedores da "verdade revelada" e como o "povo eleito" de Deus. Podemos dizer que sempre sofreram de uma forma extrema de "teocentrismo", considerando-se o umbigo do mundo. Todos os não-judeus eram considerados "gentios" ou seja, idólatras e ímpios. Esta INTOLERÂNCIA com todos os outros foi herdada pelas outras duas ramificações que surgiram do tronco comum do Antigo Testamento: o Cristianismo e o Islão. (O Islão, tão vilipendiado ultimamente, foi durante grande parte da sua história o mais tolerante dos três; pelo menos aceitava as outras duas como gente do Livro, e a Moisés e Jesus como profetas primitivos de sua religião.) Que o Jesus "histórico" e seus 12 discípulos foram considerados Galileus, provavelmente indica que os primeiros judeu-cristãos foram desta etnia (possivelmente um remanente de origem ário das grandes migrações do segundo milénio a.C.) que somente tinha sido convertida ao Judaísmo a meio do século I a.C. No princípio foram aceites como outra seita judia e a Jesus como outro dos muitos profetas/messias tão comuns naqueles tempos. Uma seita "herege" mas de qualquer modo judia.

Tudo mudou rapidamente quando no primeiro terço do século II Jesus começava a ser considerado cada vez mais como um ser divino enquanto que ao mesmo tempo a maioria de seus seguidores foram gentios, ou seja, gente não-circuncisa e não convertida previamente ao Judaísmo; duas razões para que o incipiente Cristianismo fosse já considerado como uma religião gentia que não tinha nada a ver com YHWH. Para os cristãos para quem Jesus era o único Messias admissível, a separação tornou-se definitiva com a rebelião messiânica de Simão bar Kokhba (132-35 d.C.) contra Roma. Enquanto que o antagonismo dos judeus para com os cristãos era limitado, os cristãos - então ainda muito minoritários - necessitavam de reafirmar-se através de deslegitimar a seus oponentes e as suas acusações iam no sentido de aumentar até culminar em acusar a todos os judeus - em todas as gerações vindouras - da morte não apenas do Messias mas de Deus mesmo; o deicídio! Uma acusação blasfema se - como nos séculos II e III - se referia a Deus, já que este, segundo os crentes, era Imortal e Todo-poderoso e a mesma ideia do seu assassinato equivaleria a duvidar da sua essência, ou uma estupidez teológica se se referia a Jesus já que este devia morrer para cumprir os desígnios de seu Pai. A Igreja entendeu muito bem este conceito quando canonizou Judas Iscariotes como instrumento divino necessário para cumprir a Paixão. A acusação de deicídio teve pouco importância em sua origem; para os judeus era mais um dos insultos ridículos destes loucos cristãos, mas a partir de finais do século IV, quando a Igreja Católica se tornou dominante no Império Romano, a acusação em questão inaugurou mais de 1500 anos de perseguições e sofrimentos para os judeus.

Se a relação com os judeus piorou rapidamente outro tanto ocorreu entre as próprias seitas cristãs. As diferenças doutrinais eram muitas e, até em seu conceito sobre a personalidade de Jesus, variavam desde considera-lo simplesmente como um homem, um semi-deus, um deus secundário ou o mesmo Deus Pai, e todas as matizes intermédias imagináveis. Como todas estas seitas haviam herdado a intolerância religiosa judia e portanto todas estavam fanaticamente convencidas de ser os únicos portadores da Verdade, não é muito surpreendente que haja fundadas suspeitas de que las vítimas cristãs das perseguições romanas - a tolerância religiosa era política de estado e, portanto, a intolerância foi considerada "ilícita" - foram muito inferiores das que resultavam das lutas sectárias. Muitas vezes as autoridades se limitavam a separar os contrincantes, encarcela-los e, porque não, deita-los aos leões (certamente as lutas doutrinais terminavam literalmente na "boca do leão").


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