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Oficialização do Cristianismo Romano



O século IV foi um século de grandes acontecimentos religiosos já que é o século onde uma forma de cristianismo, o catolicismo romano, surge, cresce e termina por impor-se como religião oficial, única e hegemónica do Império Romano. A começar o século o panorama religioso continuava tão multiforme como durante todo o século anterior. Houve uma variedade de cultos matriarcais como o culto à Mater Magna (Cibeles), a Isis, a Demeter e muitas outras. Todas foram em essência idênticas e assim o reconheceram os romanos adorando-as indistintamente sob o nome de "Mater Domina". Também houve muitos Mistérios, tanto matriarcais como patriarcais. Destes últimos, três se tinham distinguido sobre os demais; o "Sol Invictus" (o mitraísmo primitivo), o Mitraísmo e o Cristianismo na sua variedade de formas. O primeiro tinha sido convertido em religião oficial do Império (mas não obrigatória), tinha uma grande popularidade e contava provavelmente com 7 ou 8 milhões de fiéis de entre a população de mais ou menos 50 milhões do Império. O segundo era muito mais selectivo; tinha uns mil mitraea em Roma e outros 1500 no resto do Império o que indica que houve uns 100.000 iniciados todos recrutados entre militares, com graduação a partir de centurião, entre a alta administração do Estado e entre financeiros, proprietários e comerciantes relevantes (uma espécie de Opus Dei primitivo). Para muitos a diferença entre os dois não era muito clara, e o Mitras provavelmente lhes parecia uma "maçonaria" (a Maçonaria actual copiou boa parte da sua estrutura do Mitras) dentro do "Sol Invictas". A confusão se nota em inscrições oficiais que se referiam indistintamente a: "Soli Invicto Mithrae" e "Sol Invictus et Mithrae".

Naqueles tempos provavelmente não houve mais que 2 millões de cristãos divididos em muitas seitas. A seita de Roma sendo uma das mais importantes provavelmente não teve mais de 200.000 a 300.000 seguidores e, se não tivesse sido por um incrível golpe de sorte, o cristianismo provavelmente não teria sobrevivido a desigual competência do Mitraísmo. O golpe de sorte que mudou o futuro, se não do cristianismo como tal, mas sim da seita romana, foi o Edito de Mediolanum (Milão) do ano 313 proclamado por Constantino I (o Grande) conjuntamente com o seu co-emperador Licínio Liciniano, e declarando o "cristianismo" religião licita. Isto implicava que a seita, igreja de Roma se convertia numa entidade com personalidade jurídica com direito a ter propriedades e um pré-requisito para poder construir templos ou igrejas. Até então o cristianismo romano urbano tinha-se escondido à imitação do Mitraísmo nas catacumbas. O Edito de Milão era apenas um acto de tolerância e de liberdade de culto e de nenhuma forma uma prova -como depois pretendeu o catolicismo- de uma suposta conversão de Constantino e menos ainda de que o cristianismo "romano" foi convertido naquele momento em religião oficial do Império. Constantino foi o Pontifex Maximus do "Sol Invictus" ou seja a máxima autoridade eclesiástica; de cristão nada. Porque então teve certa deferência com uma religião que apenas 10 anos antes foi ainda perseguida por Diocleciano? Por um lado a divisião do Império em quatro partes (tetraquía) por parte de Diocleciano, positivo no principio, tinha dado lugar a uma sangrenta luta pelo poder a partir da retirada deste. Esta luta tinha sido parcialmente resolvida em 312 com a eliminação de dois dos quatro contrincantes, mas não iria terminar até que Constantino logrou eliminar Licínio em 324. Por outra lado, Roma já não era Roma. Os descendentes daqueles romanos que há mil anos tinham começado a grande epopeia que converteu um pequeno povoado à margem do rio Tibre no centro de um Império, formavam agora uma pequena minoria não apenas no Império mas na Itália e até na mesma metrópole. Roma perdera a pureza da raça e estava povoada por pessoas de cem etnias que falavam cinquenta idiomas e adoravam dezenas de deusas e deuses. O latim da rua era de ínfima qualidade e os últimos imperadores nem sequer tinham sido etnicamente romanos.

Estes dois factores empurraram Constantino, que além de ser ambicioso, era inteligente e pragmático, em procurar uma força nova para tornar coeso um Império tão díspar. A liberdade de culto para os cristãos não era uma decisão religiosa ou social mas sim exclusivamente política. O propósito de Constantino era criar uma grande religião monoteísta com o "Sol Invictus" aportando a maioria dos crentes, os Mitras, líder, o Cristianismo, a intolerância que podia arrasar qualquer tipo de oposição.


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