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EMOÇÃO:ARQUIINIMIGA DA RAZÃO PURA (KANT)



A vida humana acontece no contexto de uma realidade objetiva sobre a qual não se tem poder. Antes de qualquer experiência do mundo, antes de o coração começar a amar, a realidade já estava aí. O que resta ao homem é descobri-la, desde que antes se livre da interferência ilusória de suas emoções. Isto é verdade não somente quanto ao universo físico, mas também quanto à esfera ética. E isto é o que as duas - Críticas de Kant -pretendem provar. Como o homem pode vir a conhecer a estrutura da natureza, ele também pode vir a conhecer a estrutura do bem. E é até interessante observar-se que, por detrás das investigações aparentemente abstratas de Kant, encontra-se uma profunda preocupação política, exatamente a mesma expressa na revolução francesa: a esperança de se estabelecer uma ordem que não resultasse da esperteza , da força ou da paixão, mas que fosse a encarnação da razão. Se a razão revela ao homem qual a natureza do bem, então é possível construir-se uma sociedade universal baseada na verdade e na justiça.
Não é difícil perceber-se porque as emoções não podem desempenhar qualquer papel nesta visão do mundo. Elas são o arquiinimigo da razão pura. Paixões, diz Kant, são como um câncer para a prática da razão pura. ... São uma estupidez... que contradizem estritamente a razão, mesmo em seu princípio formal. ... Paixões não são apenas... desafortunados estados de ânimo prenhes de demônios, mas são também, sem exceção, perversas... Não são perniciosas apenas praticamente, mas também moralmente repreensíveis. (Immanuel Kant, Anthropologie, parágrafo 71).
As emoções, da mesma forma que os desejos e a imaginação nascem da particularidade de nossa situação. Se alguém age a partir de sua matriz emocional se vê impelido a contrapor-se a verdade universal. Onde quer que a emoção esteja, lá não se pode encontrar qualquer verdade, ou bondade, de acordo com Kant. Por isso ele insiste em que os fundamentos da ação precisam estar totalmente livres de tal interferência . Um ato realizado - por amor -, mesmo que coincida com a exigência do dever já está errado a priori. (A Gestação do Futuro-Rubem Alves-pag.61)


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