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Giordano Bruno e Nietzche



Nietzsche considerava o Cristianismo e o Budismo como ?as duas religiões da decadência?. Segundo ele, é com o surgimento da religião (judaico-cristã), com sua moral de rebanho, que se desenvolve uma atmosfera de ressentimento e culpa na humanidade.Ao repudiar a filosofia metafísica (de Sócrates a Kant), cuja concepção afirma que a plenitude da existência seja uma promessa a ser cumprida após a morte, não em vida, desejava desmascarar os preconceitos e ilusões do gênero humano através do olhar destemido ao que está oculto por trás de valores universalmente aceitos, dos ideais que serviram de base para a civilização e nortearam o rumo dos acontecimentos históricos. Assim sendo, a moral tradicional, a religião e a política são, para Nietzche, como máscaras que camuflam a realidade, difícil de ser aceita e suportada pelo homem, instrumentos capazes de tornar a vida mais suportável, mas também deformando-a.O mundo para Nietzsche não é ordem e racionalidade, mas desordem e irracionalidade. Não parte de Deus ou da razão o seu princípio filosófico, mas da inexistência de objetivo definido que tem a vida, do acaso, do instante constantemente transformado e incerto. A única e verdadeira realidade sem máscaras, para Nietzsche, é a vida humana na vivência do instante.Relacionando a crítica à razão incorporada à metafísica de Nietzche àquela feita por Giordano Bruno ao discurso cosmológico e teocêntrico da Idade Média, é possível encontrar diversas similaridades.Bruno aproxima-se de Nietzsche ao afirmar que ?o universo é um sistema em permanente transformação, um todo no qual nada existe imóvel. Não apenas um movimento mecânico e passivo, segundo as leis da física, mas um movimento anímico que o faz transformar-se permanentemente?. Em sua cosmologia, Bruno segue Copérnico, mas vai muito além do pensamento do mesmo. Deduz que o movimento dos astros não seria esférico como Copérnico havia apresentado e além de suprimir a esfera das estrelas fixas, alarga o universo ao infinito. Em sua obra "Sobre o Infinito, Universo e Mundos" desenvolve sua teoria cosmológica a partir da crítica sistemática aos físicos aristotélicos, refutando a cosmologia tradicional de Aristóteles ao afirmar que o universo físico não é finito e limitado como pretendia a concepção medieval, mas infinito e ilimitado e inclui um número não definido de mundos, cada um com o seu sol e seus planetas e que estes eram todos habitados por seres inteligentes. Dá pra imaginar o efeito dessas palavras em plena idade Média?Como no centro da cultura e da filosofia ocidentais, prevalece o ?Logos? , isto é, o espírito racional que fala e discursa, transformando as coisas em conceitos universais, tanto Nietzsche quanto Bruno colocam esse princípio em xeque.Poderíamos talvez dizer que o pensamento de ambos encontra-se muito presente na realidade atual, ?pós-modernismo que engloba o efêmero, o fragmentário, o descontínuo e o caótico. Está associado à decadência das grandes idéias, valores e instituições ocidentais, como Deus, Ser, Razão, Sentido, Verdade, Totalidade, Ciência, Sujeito, Consciência, Produção, Estado, Revolução e Família?.


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