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Papai real



No imaginário das crianças há espaço para diversos personagens que podem ir desde os invencíveis guerreiros japoneses até o lendário velhinho barbudo da longínqua Lapônia.
Perguntado pelo meu amigão se Papai Noel existe, respondi prontamente, sem medo de magoá-lo: "Certamente, que não!"
Não escondo a decepção que assolou o menino, bastava ver seus olhos quase lacrimejantes e a expressão de espanto.
Qual a razão de expor o assunto de forma tão objetiva? Questões religiosas a parte, sempre encontramos motivos para comemorar datas que, geralmente, são importantes para humanidade.
procurei, então, como qualquer educador, ensejo para administrar o que considerei uma excelente oportunidade para mais uma aprendizagem.
Comecei por fazê-lo compreender que a figura de Noel é meramente exploratória, ou seja, o verdadeiro objetivo é impulsionar as vendas de final de ano garantindo, dessa maneira, um faturamento maior para os comerciantes.
O garoto ficou intrigado, saiu por alguns instantes e voltou com uma nova dúvida. Dessa vez, queria saber o porque de meias na janela, cartas de pedido e, sobretudo, o esforço em passar de ano - leia-se ir para o ciclo seguinte -.
Tudo invento, lorota de adulto para ludibriar a criança. Diante de tanta frieza o garoto literalmente surtou:
- Então como surgem os brinquedos na noite de Natal?
- Quem trás amigão, respondi, é o Papai Real.
- E quem é ele, perguntou.
Não dá para esquecer seu semblante quando fez esta última pergunta: suas sombrancelhas se aproximaram, os braços se afastaram como quem necessitasse de uma explicação para toda aquela loucura.
Ora campeão! Passei a descrever. Papai Real é aquele que quando você nasceu passou noites a fio ao seu lado, às vezes com um olho fechado e o outro aberto para ficar alerta caso precisa-se de algum cuidado.
Esse homem o conhece mais que qualquer outro, pois o acompanha desde os primeiros passos cambaleantes e os ensaios das primeiras palavras.
Resumindo, não mede consequências para atender, na medida do possível, um desejoso presente de sua parte.
Ah, disse com um sorriso sorrateiro, mas esse é você.
Sim - respondi -e o que você acha disso?
Ele pensou...pensou...e, finalmente, pôde concluir:
Bom, pelo ou menos você não mentiu para mim.
Somos professores e insistimos em propagar aos nossos pupilos a imagem do Papai Noel. Enfeitamos as escolas com bolas e mais bolas, via de regra com cores que não combinam em nada com o clima trpical de nosso país e, absurdamente, colocamos Noel permeando uma bela árvore que, comumente, também, não condiz com a magnífica variedade de espécies que o Brasil oferece.
Sejamos mais originais, os verdadeiros papais são os reais que acompanham as crianças todos os dias deixando-as e buscando-as na escola, labutando para pagar o material didático e, quando podem, a mensalidade de uma instituição particular.
Se quisermos construir cidadãos honestos, conscientes da realidade que os cercam, sem idéias mágicas de entradas triunfantes pela lareira, aproveitemos melhor o natal. Bom, de repente alguém pode retrucar que a "verdaderia história" as crianças vão aprender conforme crescerem. Bom, sinto informar que aí já é tarde demais, pois, a essa altura, já aprenderam a mentir


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