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Considerações sobre Descartes



1 O Mundo Incerto Três séculos nos separam de Descartes e do seu Discurso do Método, muito tempo para a história e para a ciência, mas pouco para o pensamento filosófico. Desde sempre a filosofia se ocupa do Ser, do Conhecimento e do Homem. O pensamento de Descartes é ainda hoje profundamente actual. O Discurso do Método é rico em ideias sobre o bom senso. Este bom senso é algo que todos pensam possuir e que lhes basta na medida em que acham que o têm. Descartes ensinou-nos que o que importa realmente é aplicar Bem o espírito, é sempre melhor procurar o caminho a direito para um fim. Um dos filósofos cuja filosofia conduziu a uma das mais profundas revoluções intelectuais, levando o homem à liberdade espiritual, da razão e da verdade. O Discurso do método lido hoje não é porém o mesmo que foi lido pelos contemporâneos do seu autor. O que nos ensina e que se mantém actual é que devemos ter as ideias claras e ter por verdadeiro o que vemos como tal. O livro era composto por três ensaios em forma de apêndice e por um prefácio que é para nós o Discurso do Método. Os apêndices já não são lidos hoje em dia apesar da sua grande importância científica para a época. O que era para Descartes apenas um prefácio, serviu de base para toda uma nova forma de estar e pensar. Esta ciência nova que pretendia um homem ?senhor da Natureza? era o que Descartes anunciava e realmente provava ser experimentado por si. Este uso concreto valorizava as regras um pouco banais e até vagas que o discurso defendia. O filósofo enquanto filósofo deve submeter-se à evidência da Razão, à regra de que o simples deve vir primeiro, mas o que é este Simples? É na resposta a esta pergunta que assenta a reforma intelectual cartesiana. Em 1637 Descartes não era ainda o filósofo célebre e revolucionário em que se transformou, mas não era desconhecido no meio literário. Viveu em Paris onde se deu a conhecer, mas deixou a cidade e partiu para a Holanda, mantendo contacto com Paris através de P. Mersenne. O Discurso do Método quando surgiu não desiludiu os literários e sábios que o esperavam, até mesmo o mundo científico que muito discutiu a obra. O que esta trazia de novo era o aparecimento dum novo método que Descartes fez acompanhar da sua autobiografia. Talvez porque ao demonstrar o uso do seu método na sua vida pessoal, pudesse fazê-lo credível aos olhos dos leitores. A vontade de Descartes em ajudar os seus pares é por vezes pouco admirada, por não parecer inteiramente sincera. Descartes era um homem que sabia o que queria, fazia e pensava. ?Bem viveu quem bem se ocultou? Eis a maneira cartesiana de entender o existir, pois Galileu ainda há pouco fizera história e Descartes não lhe queria seguir o exemplo, fazendo das suas ideias apenas ideias suas e não leis revolucionárias, mesmo porque estas o eram tanto que poderiam destruir a autoridade do estado e da Igreja. O método que Descartes nos ensina é de que só há um caminho capaz de nos libertar do erro e conduzir à verdade e ao conhecimento desta. Só deve seguir este caminho quem o consiga seguir até ao fim, quem tal como ele consiga realizar os actos essenciais que permitem superar o mal = incerteza e confusão. O século XVI foi rico em incertezas e confusões, tudo foi abalado: a unidade política, religiosa e espiritual da Europa, a autoridade da Bíblia, etc. ?O Homem não sabe nada, porque o Homem não é nada.? Montaigne Eis o estado destruído em que se encontrava o pensamento no princípio do século cartesiano. Descartes surge aqui como restaurador da dúvida e incerteza criada por esta forma de pensar a que se chegara. O homem conforta-se com a razão e a experiência a que Descartes chegou com o seu método: ?Penso, logo existo? Podemos assim, ao enquadrar Descartes no seu tempo, concluir que o método surge como resposta a Montaigne ? seumestre e adversário. Descartes pretendia manter-se no caminho que traçara, inflexível e fixo, do seu pensamento. Um pensamento que sempre pretendeu claro, simples e honesto. .


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