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NIETZSCHE. Das forças Cósmicas aos Valores Humanos.



Nietzsche, segundo Scarlett Marton, empenhou-se na crítica à linguagem enfatizando o seu entendimento de acordo com a perspectiva que se adota. Ele procura mostrar que as palavras ?não possuem um sentido único, velado e sempre presente?. Seu interesse pela psicologia considerando-a enquanto ?morfologia e doutrina do desenvolvimento da vontade de potência? foi algo inovador. Nietzsche encontra e formula uma nova visão da psicologia. Libertando-a do que ele chama de pré-juízos e apreensões morais. Passa a defini-la como ?ciência que investiga a origem e a história dos sentimentos morais?e acrescenta um ingrediente novo: sua inserção num tempo e num espaço, rompendo assim com a metafísica, onde a noção de alma humana vinculava-se a essência. A partir de então os sentimentos morais surgem, modificam-se e até podem desaparecer. Nietzsche critica o idealismo metafísico propondo uma nova abordagem, a genealogia dos valores. Ele questiona o valor dos valores morais buscando as respostas e explicações na história e descreve sua origem. Afirma que os valores morais têm origem na reação dos fracos, e que estes colocam o bem como a negação das ações dos poderosos. Portanto, o bem foi negativo, e a moral decorrente desse bem valorizou esta negação. Negando assim a própria vida.
Nietzsche considera que o cristianismo, o socialismo, o judaísmo, Platão e Sócrates só reforçam esse niilismo, onde o homem passivo seria o último homem, o fraco. Então resta à psicologia, da qual se apropria, explicar o valor dos valores ou avaliar as avaliações. A psicologia é privilegiada, porém, ele defende o auxílio de todas as ciências. Buscar a substituição da vontade de verdade, que é baseada na moral vigente, pela vontade de potência da qual deveria surgir um super-homem criador, além do bem e do mal.
Nietzsche afirma que: A vida é diferente da verdade. A vida é trágica, e que ele não tinha obsessão pela verdade. Que a verdade era apenas mais um ponto de vista, pressupondo assim a análise de todos os outros pontos de vista.
Se durante milênios o homem perseguiu a verdade acreditando que conhece-la seria a libertação, Nietzsche joga uma pá de cal sobre todo esse conceito milenar ao afirmar que a verdade é o túmulo da vida. Com certeza muito de suas postulações e conclusões estão corretíssimas, porém, não podemos desconsiderar todo o contexto histórico que o influenciou e mais ainda, sua história de vida. Ele tinha consciência que a ajuda de outras ciências, além da psicologia, seria necessário para a investigação dos valores, dado a complexidade do tema. Chama-nos a atenção um trecho do prefácio de A gaia ciência citado por Marton na página 91, onde Nietzsche diz que ?toda a filosofia que coloca a paz mais alto do que a guerra, toda ética com uma concepção negativa do conceito de felicidade, toda metafísica e física que conhecem um termo final, um estado terminal de qualquer espécie, todo preponderante desejo estético ou religioso por um à-parte, um além, um fora, um acima, permitem que se pergunte se não foi a doença aquilo que inspirou o filósofo?. Este trecho deixa transparecer uma angustia pessoal. Se a doença é citada como possibilidade de inspiração que nos levaria a não aceita-la como equilibrada e credível, enfim, como ciência. Assim, podemos nos permitir também um questionamento: O que inspirou Nietzsche?
Talvez, se ele vivesse nos dias atuais pudesse fazer uso da psicologia e de outras ciências como se configuram hoje, já permitindo a possibilidade de um além, de um fora. Sem dúvida ele foi um gênio criador que estava à frente de seu tempo. Não deve ter sido fácil criticar os preconceitos morais e propor um espírito livre baseado no pensamento científico, isso em pleno século dezenove. Nietzsche inovou e revolucionou. Não foi compreendido e ainda é criticado, porém, a mim fica a impressão, após leitura não aprofundada, de uma alma terrivelmente angustiada e infeliz. O divã de um bom psicanalista e o fundamento cristão lhe faria muito bem. Nietzsche foi vítima da própria vida.


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