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Os sete saberes necessários à educação do futuro



A proposta básica que o autor apresenta neste livro refere-se, essencialmente, à necessidade de se repensar e discutir alguns problemas educacionais de importância fundamental, visto que, embora o século XXI já tenha iniciado, continuam sendo ignorados e, devido a isso, muitas das aberrações humanas atuais continuam acontecendo. Para Morin, são Sete os Saberes Fundamentais que devem ser trabalhados em toda e qualquer educação do futuro (diga-se, atual), independente do tipo de sociedade e cultura, visto que se reportam, especificamente, ao preparo e ao ensino da Condição Humana. Estabelece como ?primeiro saber? o ?conhecimento do conhecimento?, necessário para o preparo do enfrentamento dos riscos de erro e ilusão existentes, conduzindo a mente humana à lucidez, fazendo uso da racionalidade lógica, crítica, autocrítica e fruto do debate argumentado, debate este que fará com que os indivíduos conheçam, pensem e ajam de acordo com os verdadeiros paradigmas inscritos culturalmente em cada sociedade, repudiando mitos e idéias que, anos a fio, têm lhe domesticado. No que diz respeito ao ?segundo saber?, destaca que o conhecimento deve favorecer a aptidão própria do espírito humano de contextualizar informações em um conjunto que permita realizações mútuas e influências recíprocas entre as partes. A educação deve entender, definitivamente, que a evolução cognitiva não se vincula a conhecimentos abstratos, mas à contextualização, à complexidade, sendo o livre exercício da curiosidade o todo organizador das partes, promovendo a inteligência geral, que facilita a identificação do saber compartimentado que atrofia a mente e a torna disjuntiva. Quanto ao ?terceiro saber?, o autor se refere à retomada e à recuperação da condição e da consciência do que realmente significa ser humano, ou seja, um ser que é ao mesmo tempo, biológico, psíquico, sociocultural e histórico, tendo, pois, uma identidade comum a todos os demais seres humanos, e este deveria ser o objetivo primordial de todo o ensino, iniciando pelo reconhecimento da unidade e da complexidade humanas, via organização e unificação de conhecimentos dispersos. A plenitude e a livre expressão dos homens são decorrentes de um propósito ético e político, que só se consolida pela tríade indivíduo/sociedade/espécie. O desenvolvimento humano depende do desenvolvimento do ?conjunto de autonomias individuais, participações comunitárias e do sentimento de pertencer à espécie humana, respeitando tanto as unidades como as diversidades existentes?. Ao discorrer sobre o ?quarto saber?, o autor enfoca a importância de se ensinar a história planetária, não ocultando opressões e dominações, responsáveis por várias devastações da humanidade e que, incrivelmente, ainda não foram exterminadas completamente, o que dificulta que o homem conheça seu próprio mundo: somos todos envolvidos pelo mundo, mas temos dificuldade de apreendê-lo, pois nosso pensamento foi atrofiado ao longo do tempo. Em plena época de grandes avanços tecnológicos, telecomunicações, Internet, ainda somos incapazes de pensar na globalidade, na multidimensionalidade, sufocados por nossas incapacidades de inteligibilidade. Por esse motivo, faz-se necessária uma reforma do pensamento, que não seja atrelada apenas ao material, mas, ao intelectual, afetivo, moral, etc., para que ocorra a libertação da servidão, assegurando a todos os seres humanos um mínimo de bem-estar, abominando essas perniciosas e degradantes condições. Esclarece que o ?quinto saber?, vincula-se às incertezas que hoje prevalecem em todos os sentidos da vida humana e, dessa forma, há a necessidade de se ensinar estratégias para que os seres em desenvolvimento, ao enfrentarem imprevistos, saibam como reagir a eles e ir modificando suas formas comportamentais. Novas informações também são importantes para que essas mudanças venham a acontecer, com as mentes já preparadas para saberem como atuar frente ao inesperado, especialmente na educação, para orientar crianças e jovens como proceder no enfrentamento dessas incertezas, inerentes aos tempos atuais. Deve ser desenvolvida a capacidade de escolha refletida para que, quando for necessária uma tomada de decisão, o homem possa contar sempre com uma estratégia que considere a complexidade inerente à escolha a ser feita. Quanto ao ?sexto saber?, é baseado na importância da compreensão de si mesmo e da compreensão mútua, envolvendo uma reforma total de mentalidades, ressaltando a relevância da compreensão para a raça humana, possibilitando a revisão das incompreensões existentes, a partir de suas raízes, o que proporcionaria a descoberta das causas de alguns conflitos tão latentes no mundo atual, como o racismo, xenofobia, intolerância religiosa, etc. Registra a ampliação do egocentrismo no mundo, causado pelo afrouxamento da disciplina e das obrigações, sendo este o principal gerador das incompreensões que deterioram as relações familiares e escolares e responsável pelo aumento de agressões, homicídios, etc. É preciso ensinar crianças e jovens a realizar o auto-exame para que possam se conhecer, reconhecer e julgar suas próprias ações. Reportando-se ao ?sétimo saber?, afirma que este deveria focar-se na ?antropo-ética?, já que a condição humana é formada pela tríade indivíduo/espécie/sociedade. Haveria o controle do indivíduo pela sociedade e deste para com ela, formando o que denomina de ?cidadania terrena?. A ética passaria a ser formada na mente das pessoas e não ensinada através de lições de moral, envolvendo a compreensão do desenvolvimento de autonomias individuais conjuntas e diversificadas, além da consciência de pertencimento à espécie humana, contribuindo a educação para tal conscientização. A finalidade da humanidade deve ser voltada para a melhoria das condições humanas básicas, para o aperfeiçoamento da democracia, contribuindo para a realização do processo de humanização através da ?cidadania terrena?. Desconhecemos quais são os caminhos e nem temos as chaves do futuro, mas, é preciso manter presente em nossas mentes que ?El camino se hace al andar? (Antonio Machado).


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