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O reinado mais longo



A figura de D. Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal, tornou-se ao longo dos anos, num dos maiores mitos de Portugal.

 Filho do Conde D. Henrique da Borgonha e de D. Teresa, filha bastarda do rei de Leão e Castela, D. Afonso VI.

 D. Henrique, recebe do seu sogro, o governo político e militar da fronteira ocidental do império, com a responsabilidade de a defender contra as invasões muçulmanas dos Almorávidas.

Mostrou-se um homem hábil na política, o que lhe vale o apoio da nobreza da região do Douro e do clero bracarense.

D. Afonso Henriques, nasce em 1109, ao que tudo indica na região de Viseu, segundo o historiador José Mattoso, por estudo de vários documentos da época.

Fica órfão aos 3 anos de idade e a mãe casa com um rico homem galego, Fernão Peres de Trava.

 Esse facto, aliado ao nascimento de outros irmãos e sobretudo à insistência materna em que o território já conquistado, voltasse para a Galiza, vão fazer crescer nele, o desejo de independência e a afastar-se de sua mãe.

Os nobres, de Entre Douro e Minho e o seu aio Egas Moniz que já tinham defendido o condado portucalense, em finais do Séc X, início do Séc XI, colocam-se ao lado do infante, nas suas pretensões.

 Transfere a corte, para Coimbra entre 1131 e 1140 e com a vitória na batalha de Ourique, vê definitivamente reconhecido a nível interno, o seu título de rei, ainda que documentos anteriores já o referiram.

 Na bula papal ? Manifestis Probatum?, é reconhecida a D. Afonso Henriques, a sua realeza e louvada a luta em prol da cristandade. É considerado um intrépido propagador da fé, bom filho da Igreja, com princípios católicos e um exemplo para os vindouros.

Um dos marcos mais importantes do seu reinado, está ligado ao convento de Santa Cruz. Ali recruta homens de pensamento, para integrarem a sua governação, como os seus Conselheiros, S. Teotónio, o chanceler Alberto e também D. João Peculiar, que hoje seria o que se diz, Ministro dos Negócios Estrangeiros.

É neste mesmo convento que foi sepultado.

 D. João Peculiar, foi arcebispo de Braga entre 1138 e 1175.

Ele e Paio Mendes, simbolizavam a liberdade da Igreja de Braga, em relação ao que chamavam o ? abraço de urso? que, o arcebispo de Santiago de Compostela, pretendia impor, dadas as suas aspirações a trazer o papado, para a região, tal era a riqueza, a força e o poder dos arcebispos de Compostela

A existência de um Portugal, com autonomia política, era muito importante para o clero bracarense.

Vivia-se o tempo das Cruzadas. Do Ocidente para o Médio Oriente, partia-se para lutar pela cristandade, contra os infiéis.

Em Portugal, constata-se a ligação entre vários acontecimentos relacionados com a recuperação dos territórios ocupados pelos muçulmanos e as Cruzadas.

 Em 1147 dá-se a conquista de Lisboa por D. Afonso Henriques, com o apoio de 2ª Cruzada. Em 1189, a primeira conquista de Silves por D. Sancho I, faz-se com o apoio da 3ª Cruzada e a conquista definitiva de Álcacer do Sal, no tempo de D. Afonso III, tem a presença da 5ª Cruzada.

Para tal, deve ter contribuído o casamento de D. Afonso Henriques, com D. Mafalda, filha de um Conde francês que, vivia perto da Borgonha e estava empenhado no lançamento da 2ª Cruzada.

É de referir que as Ordens de Cluny e Cister, tinham as suas sedes em França.

Esse plano, era apoiado pelo Papa Eugénio III, antigo monge Cister e pelo seu antecessor, Bernardo Claraval.

Em 1120, instala-se em Portugal a Ordem dos Templários Portugueses, com papel relevante na reconquista e apoio ao rei.

Com a morte de Afonso VII, o reino de Leão e Castela desmembra-se. Castela fica para D. Sancho III e Leão para D. Fernando II.

O Rei de Leão, funda junto das fronteiras portuguesas, a urbe de Ciudad Rodrigo, criando mal - estar e levando mesmo  à guerra, já que ambos pretendiam alargar os territórios para sul.

O casamento entre o rei de Leão e D. Urraca, filha de D. Afonso, parece acalmar os ânimos,

 Em 1169, D. Afonso Henriques tenta tomar Badajoz, mas é vencido pelo genro que o prende durante dois meses. É libertado, após devolução de terras e castelos.

Sabe-se que o rei saiu ferido dessa contenda e a partir daí é seu filho D. Sancho que fica encarregue da actividade militar do reino.

 Pode referir-se que, o mito supera a realidade e que se entranha nas tradições, já que, quer em gravuras, quer em telas datadas dos Séc VIII ao Séc XIX, vemos o rei, retratado como um homem maduro, vigoroso, de cabeça coroada, barbas grisalhas, olhar determinado e misterioso, de braço forte ao peito, segurando a sua majestosa espada, tal Príncipe Perfeito.

 Num exercício de simples imaginação, é fácil ver este rei, em pleno campo de batalha, figura imponente e voz forte, incitando os seus homens, com gritos de guerra ? Sus a eles? ou Sant?Iago aos Mouros?.

Falece no ano de 1185, com a idade de 76 anos, o que faz dele o rei português, com o reinado mais longo, tendo dedicado a sua vida a libertar o reino do jugo externo, tornando-o independente e legando um Reino forte, para os da sua linhagem e para as gentes futuras.


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