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A Genealogia da Moral



Em "A Genealogia da Moral", Nietzsche confronta a origem de muitos conceitos que sustentam a idéia de moralidade e de verdade, e como a dualidade entre bem e mal (assim como a avaliação dos atos que nos fazem considerar algo ou alguém bom ou mau) nasce da pretensão daqueles que exercem a ação benevolente, e não dos que recebem a generosidade desses benfeitores. Nessa atividade, o conceito de utilidade não é previsto, toda ação surge de sentimentos nobres, de espíritos elevadas que criam valores, que forjam nomes de valores. Porém, com o passar do tempo ocorre a inversão desses valores, o que Nietzsche considera como a "rebelião dos escravos", fomentada pela religião (pensamento judaíco e largamente promulgado e propalado pelo Cristianismo). A mesquinhez, o sentimento de vingança, a aptidão pelo sofrimento, a renúncia, tudo foi formado pelo ressentimento, uma das etapas do triunfo do niilismo (a vontade de nada querer), que cria e gera valores.

Na má consciência, segunda etapa do niilismo, a idéia da "falta", do pecado e do erro preponderam. O homem se vê refém de forças reativas que consomem sua consciência. Odiar a si mesmo e assumir esse ódio fazem parte do projeto de destruição da vontade de potência. Deus, nesse estágio, torna-se objeto de tortura, e somente o castigo, crêem os desafortunados, pode redimí-los.

A última etapa do niilismo é o ideal ascético. A religião e algumas das filosofias desenvolvidas consagraram o não-querer, o não-possuir, a temeridade e a escassez de paixões como necessárias (e pontos profícuos) para a espiritualidade e para a condução das ações. Segundo Gilles Deleuze, nesse raciocínio, os escravos tornam-se senhores, os fracos chamam-se de fortes, "Diz-se que alguém é forte e nobre porque ele carrega: carrega o peso dos valores'superiores', sente-se responsável." O homem permite o esmorecimento das forças ativas, não pronuncia o"sim" de apelo irresistível pela vida. A vida torna-se um fardo, e o homem é responsável por esses valores cunhados pelo ressentimento e vigiado constantemente pelo sacerdote (o baluarte do ideal ascético) que o acusa como culpado perante o próprio sofrimento, perante ele mesmo, culpa única e irremediável.

"A Geanologia da Moral" questiona profundamente nosso ideal cristalizado de verdade e de moral, e investiga as relações entre as produções do pensamento humano e o domínio que elas podem exercer.

Nietzsche ao confrontrar o monólitico conceito de moral (e seus arranjos religiosos) faz perceber, como escreveu Deleuze "que o pluralismo é a maneira de pensar propriamente filósofica, inventada pela filosofia". Pensamento este que combate o dogmatismo, o cerceamento à livre expressão da razão e os entraves impostos aos sentidos.



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