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Cegueiras do conhecimento/cultura de massas-domínio da racionalização



Com o avanço da massificação, a autenticidade já não pode mais ser considerada como uma condição confortável para nenhum ser humano. Sendo ela uma essência interna do indivíduo, gradativamente passou a ser descartada e obstruída pelo senso comum, visto que este não prioriza a tomada de consciência do eu e nem as potencialidades individuais. Frente a tais processos de opressão e obstrução, não há como o homem não se sentir como um ser incompetente, já que, por mais que se esforce, não consegue compreender o mundo e nem interpretar qualquer tipo de realidade que lhe é apresentada, que lhe permita uma correta tomada de decisão, em função das distorções de verdade que a ideologia vigente tem lhe apresentado. Em resumo, ele já não encontra meios suficientes para enfrentar os desafios constantes que lhe são impostos por um tipo de sociedade que se apresenta em constante mutação. Na verdade, a crise que hoje o homem vivencia é de percepção da forma como se interpreta o mundo e de como agir sobre ele, já que tudo lhe é completamente novo e sempre se depara com mudanças repentinas no que se refere ao seu modo de ser e de viver. E isto, infelizmente vem ocorrendo porque o ser humano não assimilou tais mudanças de paradigmas e, simplesmente, continuou explicando o mundo como seus antepassados o faziam e não como ele hoje realmente é. Isto implica não só na reorganização do conhecimento, mas, especialmente, em recolocar o homem em seu devido lugar, assumindo-se como responsável por sua vida, bem como pelo mundo ao qual pertence, porque, o indivíduo, por ter sido absorvido pela cultura de massas, tornou-se um ser indiferente com relação não só ao seu próprio destino, como também, ao de toda a humanidade. Para que melhor se entenda como tantos processos de alienação vêm ocorrendo, é preciso explicitar, distinguir e diferenciar os conceitos e princípios que regem a racionalidade daqueles que estão embutidos na racionalização. A racionalidade, por reconhecer os limites da lógica, por sua própria natureza, dialoga com o real, negocia com a irracionalidade, sendo capaz de reconhecer e identificar suas próprias insuficiências. Por ter um caráter aberto, transita pelos caminhos que existem entre a instância lógica e irracional. Ela não é apenas crítica, mas, também, autocrítica e é através dela que são analisadas as múltiplas causas dos inumeráveis erros e ilusões, contidos no conhecimento e na existência humana. Contrariamente, a racionalização só se constitui através da utilização dos erros cometidos pelo indivíduo, de suas fantasias e ilusões (característica típica da cultura de massas), já que se baseia em um modelo mecanicista de viver, na desconsideração do que pertence ao mundo real e racional, ignorando tudo que se relacione com a subjetividade e a afetividade, pois tem como meta tornar a vida irracional e totalmente desprovida de sentido e de verdades. Por ter sido dominada por essa pseudo-racionalidade ou racionalização, a sociedade humana foi atrofiada no que se refere à visão e à compreensão do mundo real, tornando-se, assim, incapaz de lidar com os problemas com os quais sempre se depara. Este tipo de ausência de reação vem sendo reconhecido como uma nova cegueira, que se impregnou em todos os âmbitos globais, gerando incontáveis erros e ilusões, a começar pela desconsideração pelo conhecimento pertinente e valorização da fragmentação do mesmo, tendo em vista que essa falsa racionalidade dominante é voltada para o pensamento que separa e que reduz, ao contrário da racionalidade, que distingue e une ao mesmo tempo, que faz com que partes e todo sejam entendidos dentro de um contexto conjugado e harmonioso, A retomada da racionalidade implica, portanto, na procura incessante da verdade, ligada sempre a atividades observadoras, auto-observadoras, críticas e autocríticas dos processos reflexivos, envolvendo um contexto mental e cultural específico, próprio de cada ser. Daí a importância do confronto permanente entre mentira e a verdade, para que o indivíduo consiga, prioritariamente, detectar a mentira que elabora de si mesmo, o que tem impedido que o eu racional, legitimo e verdadeiro consiga emergir. Somente agindo desta forma ele poderá chegar ao questionamento da verdade e da objetividade, além de efetuar uma análise crítica das visões unilaterais que lhe são impostas, através de um único ponto de vista para a interpretação de um determinado fenômeno, fazendo com que desabroche, em cada indivíduo, a compreensão de si mesmo e do mundo que o rodeia. 


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