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A Filosofia Alemã e a Industria Cultural Contemporânea



Falar no significado da Estética no período contemporâneo encontra uma excelente síntese no poema de Carlos Drummond, ?A Flor e a Náusea?. Tomado pela angústia de um prisioneiro de si mesmo, o poeta se questiona sobre seus limites: devo seguir até o enjôo? Posso sem armas revoltar-me? Como romper esta prisão se ?O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinação e espera??.

Das bibliotecas colhemos toda sorte de reflexões e modelos conceituais que buscam retratar os caminhos para a educação.

?Preso à minha classe? inicio esta reflexão reproduzindo comentários sobre pontos de vistas de um dos mais proeminentes pensadores da cultura contemporânea - o alemão Theodor Adorno (1903-69).

Recentemente o jornal da Folha de São Paulo lançou uma coleção com o pretensioso nome de"Folha Explica". E um dos títulos publicados foi precisamente um trabalho sobre Adorno elaborado com a chancela do professor Márcio Seligmann-Silva, doutor pela Universidade Livre de Berlim, professor de teoria literária e literatura comparada da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e autor de "Leituras de Walter Benjamin". Em uma resenha sobre este livro Seligman faz o seguinte comentário:

?A obra de Adorno não pode ser desvinculada de sua recepção --e, nesse sentido, é importante recordar como outros comentadores, já desde o final dos anos 60 e início dos anos 70, reportam-se à relação existente entre o nascimento mais intenso do interesse por essa obra e os movimentos estudantis da década de 60. O próprio Adorno notou as semelhanças entre a rebeldia de então e a que marcara os anos 20, em seus tempos de estudante. Seus escritos serviram em parte para alimentar a rebeldia e a crítica radical da sociedade dos anos 60. Mesmo que ele próprio, como veremos, tenha estado --tragicamente-- no alvo daquela crítica, não podemos esquecer esse elemento de libertação e insatisfação profunda com o mundo que se apresenta como traço definidor de sua obra.?

Mas afinal qual é a maior contribuição de Adorno para conduzirmos uma reflexão sobre o significado da produção cultural em geral e da estética em particular no mundo contemporâneo.

Vamos partir de alguns conceitos centrais no pensamento de Adorno relacionado à produção cultural no espaço do modo de produção capitalista. Segundo Adorno a indústria cultural, é um instrumento de opressão que camufla as contradições do capitalismo apontadas por MARX, sendo sua função homogeneizar e estimular o indivíduo à produção.

Em um artigo intitulado a INDÚSTRIA CULTURAL: UM DEBATE INESGOTÁVEL, de autoria de Eduardo Henrique M. L. de Scoville (http://www.fag.edu.br/adverbio/artigos/industria_cultural.pdf ) o autor faz o seguinte comentário:

?O termo indústria cultural foi apresentado por ADORNO; HORKHEIMER (1985) para distinguir a cultura popular e a cultura de massa. A formulação do conceito foi decorrente de uma reflexão sobre a cultura industrializada durante o período do nazismo. ADORNO; HORKHEIMER (1985) conceberia o conceito sob o impacto da ascensão nazista na Alemanha, onde todos os ramos da indústria cultural eram totalmente dirigidos para a estruturação daquele regime.(ADORNO; HORKHEIMER, 1985, p. 149)?

No seio destas reflexões localizamos a visão de Adorno em que ele examina toda produção estética na economia capitalista, como um processo por excelência de alienação: Adorno abandona o termo cultura de massa para designar a indústria cultural, pois este esconde o verdadeiro interesse que seria a própria submissão e afirmação da sociedade capitalista e sua estrutura. Como a definição de massa diz respeito a uma homogeneidade, a cultura é transformada então pela lógica do capital. Na verdade Adorno considera que cultura de massa não é nem cultura e nem provém das massas. Ela é regida pela repetição e pela novidade. Acaba por não expressar reflexão e nem ?inquietude de espírito? e sim consolidar hábitos e expectativas.

Confesso que esta é reflexão de difícil trajeto: a produção cultural é um processo verdadeiro como caminho de emancipação?

Um texto de Lêda Dantas, intitulado EDUCAÇÃO E PROJETO EMANCIPATÓRIO EM JÜRGEN HABERMAS, contém no final do artigo uma reflexão que sintetizo da seguinte forma:.

Habernas conseguiu superar, pelo menos em parte, o profundo pessimismo da Escola de Frankfurt. Pessimismo este fundado no desolamento da falta de alternativas para os modelos filosóficos que encantaram a esquerda até os anos 70. A idéia de emancipação como processo revolucionário mostrou-se uma quimera, ganhando corpo o desalento e desencanto por uma metodologia de educação que resgatasse os humanos do tédio e da ?náusea? (?Preso à minha classe e a algumas roupas, vou de branco pela rua cinzenta? Drummond de Andrade).

É uma utopia e por mais estranho que pareça a alguns e, por mais desconfortável para aqueles que preferiram ?abandonar o barco?, nosso referencial continua sendo a nossa história. E é nesta história da jornada humana que nos inspiramos e buscamos referências no brilhante pedagogo Paulo Freire:

?(...)O movimento para a liberdade, deve surgir e partir dos próprios oprimidos,?(...) e a pedagogia decorrente será " aquela que tem que ser forjada com ele e não para ele.

Este trecho constitui uma qualificada síntese do que constitui a promoção da educação para a cidadania. A filosofia cultural assim vista não perde a perspectiva de suas condicionantes históricas: o exercício da cidadania é um caminho de recuperação da humanidade. E cidadania aqui é a ação que transforma e que tem na educação sua fonte de alimentação.



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