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Nietzsche:a inversão de valores,os processos de ressentimento e culpa



De acordo com o filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900), a natureza humana é resultante da influência de uma multiplicidade de forças ou impulsos que se encontram de forma incessante em conflito, sendo, portanto, responsáveis pelo crescimento e expansão de potências, já que o indivíduo sempre busca formas de resistência à dominação. Esclarece o autor que todo ser humano é dotado de uma força, que deve ser entendida como vontade de potência (ou de poder) que, de alguma forma, busca capturar alguma coisa que lhe resiste ou então, que tenta capturá-lo e incorporá-lo para si, sendo considerada como força dominante aquela que é sempre ativa e, dominada, a que se torna passiva ou reativa. Os conflitos entre as forças ocorrem continuamente, gerando impressões (ou imagens) que são recolhidas pela consciência humana, embora esse conflito entre as forças seja resultante de uma atividade inconsciente, tendo em vista que a consciência é constituída por uma natureza reflexiva e reativa. Baseado nesta concepção de conflito, passa a abordar a questão do ressentimento e da culpa, afirmando que ambos são sentimentos que foram veementemente enfatizados, incutidos e disseminados nos seres humanos via religiosidade. Isso fez que se tornassem comuns e se firmasse a crença de que sejam inerentes à essência do próprio homem, já que o objetivo contido em toda moral religiosa é fazer com que o indivíduo experimente, continuamente, uma repressão de seus impulsos ativos. Com isso, o homem tornou-se prisioneiro do ressentimento e da culpa sem, contudo, deixar de ser reativo, passando a apresentar uma estranha sensação de ausência de potência para preencher sua vontade, ou seja, percebe que possui uma vontade que necessita de potência, uma vez que, não consegue permanecer limitado apenas à dimensão da conservação de sua existência, necessitando apossar-se de outras forças. No entanto, como o homem é extremamente regido por instintos e emoções, esses impulsos não são fáceis de serem excluídos e, com isso, é inevitável que sempre exista um conflito entre uma moral que reprime e uma outra, que é inerente à vontade de potência humana que, continuamente, deseja se expandir. Por outro, de acordo com Nietzche, são justamente essas situações de conflito interior que fazem com que o homem se torne reativo, tendo em vista que se vê e se sente limitado por parâmetros que são voltados apenas à conservação da sua existência, sendo eles causadores de seu sofrimento. Quanto à culpa, ela emerge quando o sujeito pensa, sente e avalia os atos que cometeu de forma negativa, ou então, quando esses mesmos atos são considerados como transgressores de um tabu ou norma religiosa estabelecida e perpetuada por determinada sociedade e cultura. Talvez sejam esses os indicadores primordiais que têm provocado no homem a ignorância e incapacidade de criar novos valores, de afastar para longe de si sentimentos básicos para a estruturação de sua personalidade. Fundamentado basicamente nesses pressupostos, o autor afirma que embora o ser humano esteja no decorrer de toda sua existência buscando encontrar a felicidade, ela só será conseguida se cada pessoa estiver diretamente conectada com o crescimento e noção de sua própria potência individual e se for capaz de estabelecer uma constante diferenciação de si mesmo.  


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