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No Arraial de Beth-le-hem do Descalvado



No Arraial do Bellem, meia dúzia de taperas, ofereciam aos passantes e errantes, que buscavam novas terras ou talvez algum tesouro ou ainda negros e índios fujoes, muito pouco, fubá de milho grosso pilado, arroz, banha de cateto - muito forte - cebo pára arriamento, algum couro de bicho curtido no barba-timão, cuia, cabaças pára água e aguardente, este, preparado com frutos esmagados e curtidos, ou extraídos do tronco de algumas árvores como por exemplo do jatobá,  folhas medicinais, cultura india-afro, para curar picadas de insetos e mordidas de cobra, coisas que hoje, tornam-se fados, sonhos e inexistentes. Nosso Arraial era tido como ponto de apoio, salva-vidas destes rústicos sem destino, passageiros, rastreadores, ...

Nossa Igrejinha de pau-a-pique, orada indispensável, todos se dirigiam a ela. Nossa Santa, Nossa Senhora do Bethlem, referencia do Arraial, estava ali entronizada por força da promessa de Florencia.

Imagem companheira, vinda no comboio de José Ferreira, pequena por certo, mas muito grande de fé. Alento para quem nada tinha, senão a ilusão matuta, matreira de buscar na aventura o desassossego da alma. Não parar, ir em frente, buscar o amanhã, sem saber aonde estaria.

            Agosto, começavam as chuvas, poucos se atreviam a avançar mata em direção leste, o rio Mboya, começava a encher, lagoas se formavam e os mosquitos matadores, causavam a febre sem cura; quem se atrevesse ficava pelo caminho servindo de pasto para as onças, pintada, parda, ...

Ir para oeste, sertão de São Bento de Araraquara, novas terras, novos comércios, fazer permutas, ......, mercadorias rústicas, e na algibeira bem costurado, ouro ! Esta era a moeda corrente !

Trazido das ''Minas Gerais'', era o que realmente valia, comprava vastidões de terras, gado, títulos como Coronel, Tenente e outros, mulas, segurança, abrigo, escravos, tudo enfim que tinha-se de móvel ou imóvel, então ai, registrar-se o domínio rumo sudoeste o Termo de São João do Rio Claro, daí se trazia mercadorias vindas da Europa, ou mesmo o básico sal, planalto de Piratininga, Villa de São Paulo, 36000 habitantes.

            Luzes, pirilampos ou fogueiras na frente das choupanas, afugentava mosquitos do entardecer e servia para algum batuque de nego veio, algum conto do sussurro da mata com seus curupiras, saci-pererê, lobisomem, mula sem cabeça, e por aí noite adentro, só os desocupados, os velhos ou quem pressa não tinha de deixar o nosso Arraial.

            Na maioria dos casebres, só comercio, mercadorias ou mulheres a servir. Poucas habitavam este local que alem deste meio de vida nada mais oferecia. A roça era que trazia a subsistência para o morador, empregado, escravo, proprietário e sua família. Vida bem dura e rústica. Tudo ou quase se tirava da terra. A sobrevivência exigia trabalho árduo e dedicação total ; de sol a sol como se dizia. Na tardinha do Sábado, grandes focos de luz, fogueiras e batucadas, ecoava pelo ar sons distintos dos tambores, ritual afro. O silencio carregava a sonoplastia para longe, como se conversassem entre si as várias oferendas, partidas de pontos diversos, Areias, Grama e Nova, subiam ao seu ofertado. Algum momento, silenciava, a mata engolia o sonoro batuque, devolvendo em seguida. Talvez quisesse entende-lo, ou mesmo decifra-lo... ?! Virgem como era, tinha muito a aprender com estes novos inquilinos.

II

Lampiões importados, bujões de metal ricamente desenhado a fio de ouro, sustentando chaminés de cristal, nele, encrostava-se ramos de finas folhas de roseira. Aceso a tardinha esperava cavalheiros para uma importante reunião, uma decisão importante se daria naquela noite.

A ''mandança'' local sob sigilo, estaria reunida naquela noite para arrecadar os fundos responsáveis pela encomenda da nova imagem da Padroeira. Esta noite, se formaria ''passo inicial'', a quantia da entrada para a encomenda. O  encarregado da tarefa, alguém delegado, encontrava-se na hospedaria(?) Partiria pela madrugada, assim que o contrato mais os  vários contos de reis, fechassem o compromisso dos cavalheiros. Acampados fora da Vila, no descampado, ponto do samba, tres capangas esperavam para guardar o mensageiro, mais dois em pontos diferentes do caminham segueriam de longe. Tudo bem organizado, para que nada acontecesse que pudesse impedir que a imagem não chegasse a ser nossa. Já que uma outra historia a impedira de estar em outro lugar.

Termo de São João do Rio Claro

 Aos sete dias do mês de novembro do dito anno <1855> nesta Freguesia de Bethllem do



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