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Sucesso na escola: só o currículo nada mais que o currículo



O desempenho escolar, segundo o autor, é medido por números: dos alunos e das escolas. Mas, como medir o desempenho de uma escola? Pela soma dos ?bons? desempenhos dos alunos? Algumas escolas tem uma seleção rígida para ?manter o nível?, outras ignoram a dispersão e compensam os péssimos resultados com os excelentes. Deveria-se considerar a capacidade da escolar de levar os alunos a uma média. Além disso, não se pode desconsiderar o contexto de cada escola.
O seja, a avaliação deveria ser relativa, tanto dos alunos quanto das escolas, considerando as condições iniciais e o ponto a que se chegou.
As escolas só podem avaliar aquilo que ensinou, enquanto as avaliações externas avaliam aquilo que ?deveria? ter sido ensinado.
?Outra contradição: enquanto o sucesso ?rotineiro? é feito de uma miríade de avaliações que pontuam e reorientam a carreira escolar, referindo-se cada uma a um fragmento do currículo, as avaliações em larga escala voltam-se para as aprendizagens consolidadas no fim dos cursos, o que engendra uma outra representação das desigualdades e da eficácia do sistema educativo.?
É problemática a avaliação externa, que não considera as questões locais.?Essa dissociação entre as avaliações feitas pela escola e os dados de avaliações em larga escala, que visam, legitimamente, a neutralizar os efeitos do contexto local, pode entretanto introduzir outros vieses igualmente graves. As avaliações externas que permitem comparação podem-se ater aos dados mais fáceis de definir e de medir, mas é difícil avaliar o raciocínio, a imaginação, a autonomia, a solidariedade, a cidadania, o equilíbrio corporal ou o ouvido musical através de provas padronizadas, que são, na maior parte do tempo, testes de lápis e papel. Avaliar aprendizagens complexas em larga escala exige uma criatividade metodológica considerável e induz a custos importantes de aplicação e tratamento dos dados. É mais rápido e mais barato ater-se a provas escritas, reduzindo, desse modo, as aprendizagens escolares às aquisições cognitivas, dando prioridade às disciplinas principais e às operações técnicas.?
Além de serem avaliações limitadas a determinadas habilidades. Essa dupla tendência de avaliações leva à falta de referências sobre o ensino. As avaliações externas podem levar os professores a se concentram em conteúdos ?mensuráveis? e padronizados e perder o foco da educação.
Os padrões de ?sucesso escolar? é construído socialmente. E os critérios de sucesso instituídos prevalecerão na vida dos sujeitos, mesmo à sua revelia. Apesar de os indivíduos e suas famílias terem possibilidades diferentes de distanciamento em relação a avaliação.
Existe uma tendência ao combate às avaliações institucionais, desacreditando das suas capacidades de ?avaliar?. Essa constante contestação acaba desvalorizando as avaliações. Isso leva a efeitos perversos: Como o aluno vai se direcionar para uma boa atuação se não sabe quais são as expectativas? Se os objetivos da educação são diferentes, como fazer um debate racional sobre o sistema? Para superar o ?fracasso? escolar é preciso ter objetivos claros para atingi-los.
Voltar ao currículo não resolve portanto todos os dilemas quanto à definição do sucesso escolar, na medida em que ele próprio é objeto de controvérsias e interpretações divergentes. Ater-se ao currículo e às suas finalidades é, entretanto,a única maneira coerente de colocar o problema dos critérios de sucesso: só ocurrículo, nada mais que o currículo.




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