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Investigações FILOSÓFICAS




Wittgenstein, em sua obra póstuma, Investigações filosóficas, rechaça completamente os pressupostos desenvolvidos em sua primeira fase, em especial a ideia de uma linguagem límpida, cristalina, expressa no Tractatus,.

Passa em sua obra final a tratar a linguagem como ligada ao fenômeno vivido, não como um fantasma abstrato fora da realidade, a lógica deixa de ser a unidade fundamental da linguagem e o comportamento, a intuição e as regras do jogo linguístico passam a fazer parte de sua análise.

É neste texto, por exemplo que o autor apresenta o Paradoxo das Regras "uma regra não poderia determinar um modo de agir, pois cada modo de agir deveria estar em conformidade com a regra. A resposta era: se cada modo de agir deveria estar em conformidade com a regra, pode também contradizê-la. Disto resultaria não haver aqui nem conformidade nem contradições." Este pardoxo ilustra a dificuldade intrínseca de sistematização da linguagem.

Segundo esta antinomia, se precisamos de regras para nos expressarmos a partir de uma linguagem, precisaremos também de regras para interpretar estas regras, as quais também estarão sujeitas a novas regras, ad infinitum.

Donde o autor conclui que não é o caso de pontos de interpretação entre as regras, mas sim de pontos de decisões que os léxicos tomam para continuar o jogo de linguagem.

Deste raciocínio, Wittgenstein retira o problema da linguagem privada, e inquere: - Poderia alguém alguma vez ter formulado uma regra apenas para si?

A conclusão contra-intuitiva de que não é o caso de que possamos produzir regras de linguagem privadamente, decorre da observação de as regras serem construtos de "hábitos (costumes, instituições)", adquiridos e formalizados por sua vez socialmente. Desta forma, seguir regras não seria interpretação, mas uma prática, e caso assim não fosse, poderíamos identificar o <seguir uma regra> com o <acreditar seguir uma regra>, inviabilizando o julgamento acerca certo e errado quanto às regras.

Trocando o paradoxo pela prática cega de seguir regras, Wittgenstein se depara com o problema da sensação privada e sua intercomunicabilidade.

Como é possível que o outro acesse uma sensação da qual apenas tenho contato privadamente e por vezes de maneira única e efêmera?

Como posso concluir que o outro tem a mesma sensação que estou inclinado a chamar de dor?

É deste tipo de inquietação que o autor é levado a um descritivismo gramatical do que apenas pode ser apreendido privadamente. Para ele temos que aprender a aplicar as regras de linguagem descrevendo nossos estados não comunicáveis, únicos e efêmeros. Nunca podemos pressupor que apreendemos do outro sua sensação privada, apenas compartilhamos o mesmo jogo de linguagem que é formado pelo hábito, é instituído no trato social.

Enfim, para evitar uma tentativa de sistematização das regras de linguagem, Wittgenstein argumenta que se pode ensinar e aprender tais regras, mas não de forma pedagógica, mas apenas através da experiência, é no uso das regras que o léxico descreve suas sensações e aprende a compreender as descrições de outrem a partir das regras gramaticais por eles comungadas.



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