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História Concisa da Lingüística: Idade Média



Idade Média
O Latim utilizado em Roma pela Igreja Cristã não era a língua oficial de muitos países da Europa, e todos os ensinamentos dos livros publicados até então praticamente de nada valiam para línguas estrangeiras.
Grandes mestres desses países então começaram a copilar as obras para melhor explicá-las e exemplificá-las a seus alunos. Ars minor
de Donato foi amplamente difundida entre aqueles que queriam ou precisavam aprender o latim.
Assim como os jovens romanos aprendiam latim para apropriar-se dos textos prestigiados, os estrangeiros o faziam como ferramenta para a compreensão da Bíblia.
Por volta do ano 800, o interesse pelos textos da Antiguidade foi renovado, mas houve uma mudança de interesse da parte dos gramáticos. As gramáticas utilizadas para ensinar até então foram descartadas e substituídas por ?gramáticas analíticas, manuais escritos na forma de perguntas e respostas, inspirados nas Partitiones
de Prisciano? (WEEDWOOD, 1995, p.53).
Outra obra de Prisciano, a Instituiones grammaticae
também obteve grande destaque na época, mas por ser muito detalhada e de difícil leitura e compreensão era utilizada apenas pelos grandes estudiosos. Desta obra, os mestres utilizavam paráfrases e versões resumidas que pudessem ser levadas aos alunos.
No final da Idade Média, a lógica voltou à cena e obras de Aristóteles foram utilizadas nas aulas. No mosteiro de Sankt Gallen, na Suíça, aconteceu a tentativa de se unir os tipos de nomes listados por Prisciano com as categorias denominadas por Aristóteles.
Os estudos de Prisciano sobre a questão dialética que criticava a gramática tradicional predominaram até o início do século XII, quando foram consideradas obscuras demais e pouco explicativas. Nessa linha, o gramático Pedro Helias ?fez um retorno deliberado aos recursos e métodos tradicionais da gramática? (WEEDWOOD, 1995, p.55), mas ainda carregando traços advindos dos estudos dialéticos.
A partir daí, gramática e dialética se dividiram, tornando-se dosi estudos distintos. Os gramáticos se voltaram para o estudo da sintaxe, tão pouco observada até então em relação as outras modalidades gramaticais.
Desses estudos surgem novas gramáticas escolares para níveis elementar e intermediário, o Doctrinale
de Alexandre de Villa Dei, e o Graecismus
de Eberhard Bethune, difundiram-se por toda a Europa.
O livro de gramática agora era dividido em quatro partes: ?orthographia (as propriedades da littera); prosódia (as propriedades da sílaba, como duração e tonicidade); etymologia (as oito partes do discurso) e diasynthetica (sintaxe). Essa divisão será o molde da hierarquia da fonética, fonologia, morfologia e sintaxe atuais? (WEEDWODD, 1995, p. 56).
No século XII, os estudos que se concentravam expressivamente na gramática do latim, começaram a voltar-se novamente para um estudo universal da linguagem.
Os textos de Aristóteles voltam a circular e trazem de volta o questionamento à cerca da natureza da linguagem. O pensamento de Aristóteles que dividia teoria da prática gerou as gramáticas speculativa
e positiva
, onde a speculativa
dirigia-se ao estudo universais da lingüística e a positiva
ao estudo de uma língua em particular.
As gramáticas especulativas tiveram com obras de destaque Martinho da Dácia, Miguel de Marbais, Tomás de Erfurt e Sigério de Coutrai. Paras esses gramáticos "o objeto do mundo real, externo ao entendimento, e o conceito podia ser dado a conhecer por um signo falado, tornando-se dessa maneira um significado" (WEEDWOOD, 1995, p.58)
No século XIV essa concepção foi duramente atacada por Guilherme de Occam que negava a relação entre palavras e realidade, afirmando que "a língua não serve como um espelho da cognição ou da realidade exterior" (WEEDWOOD, 1995, p.59)
O latim tinha um papel de grande importância mesmo nos países que não era a língua natural, apenas ele, juntamente com o grego e o hebraico eram estudados.
As gramáticas medievais vernáculas surgiram para ampliar os estudos lingüísticos para outras línguas da Europa que até então não eram estudadas. Essas gramáticas tinham como objetivo serem livros didáticos preparados para ensinar latim a falantes não-nativos, explicarem os conceitos de gramática a partir de exemplos dessas próprias línguas, sendo também escrita nas línguas vernáculas como meio de expressão.
Elfrico, no ano 1000, foi o primeiro a publicar uma dessas gramáticas vernáculas traduzindo obras de Prisciano para em inglês antigo. Semelhante processo o correu também na Irlanda, na Islândia e na Provença (região ao sul da França) onde autores produziram gramáticas vernáculas em suas línguas utilizando exemplos de suas próprias literaturas.


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