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Marcadores Conversacionais



Hudinilson Urbano começa seu ensaio definindo os marcadores conversacionais como sendo ?elementos de variada natureza, estrutura, dimensão, complexidade semântico-sintática, aparentemente supérfluos ou até complicadores, mas de indiscutível significado e importância?.
Para exemplificar a ocorrência desses marcadores, Urbano apresenta um exemplo tirado do corpus
do projeto NURC/USP-SP onde existe uma conversa entre 2 interlocutores. Após o exemplo, ele ?reformula? o texto deixando apenas as informações relevantes e inéditas do trecho selecionado, retirando do texto ?redundâncias e repetições, bem como outros elementos de pouco ou nenhum valor semântico?.
Com esse procedimento ele espera destacar as muitas ocorrências dos marcadores conversacionais no texto selecionado e mostrar que a ausência deles não interfere na compreensão geral do texto.
Urbano ressalta também que embora os marcadores conversacionais não contribuam efetivamente para desenvolvimento do conteúdo semântico do texto falado, eles são de grande importância pois ?ajudam a construir e dar coerência e coesão?, funcionando como articuladores e determinando as expressões de interação entre os interlocutores.
Quanto a sua forma, o autor afirma que os marcadores podem ser verbais ou prosódicos. Os verbais encontrados podem ser lexicados, ou seja compostos por palavras como sabe? eu acho que
ou então não lexicados com expressões do tipo ahn, eh
etc. Os prosódicos podem ser as pausas mais alongadas e as ênfases em frases ou sílabas para demarcação.
Na questão semântica, a maioria desses marcadores não apresenta nenhuma importância para o entendimento do texto, mas as vezes expressões como eu acho que, eu tenho a impressão
não contribuem efetivamente para o desenvolvimento do tópico conversacional (assunto) mas tem como função revelar um ponto de vista do falante ou testar o grau de atenção do ouvinte.
Na análise sintática desses marcadores, Urbano afirma que os marcadores são estruturas sintáticas independentes e autônomas, sejam eles lexicados ou não lexicados, mas que como todos os outros conceitos apresentados, não são uma verdade absoluta nem uma regra geral, mostrando um exemplo em que eu acho que
além de marcador conversacional também desenvolve a função de oração principal do que vai ser dito a seguir.
Quanto às funções desses marcadores, o autor diz que eles podem desempenhar funções mais genéricas, como de articuladores e estruturadores e funções mais específicas de monitoramento do ouvinte, da busca de aprovação, sinalizadores de hesitação, de atenuação ou de reformulação além da intenção e interação do falante.
Urbano afirma ainda que embora tente abranger o máximo de exemplos e ocorrências dos marcadores conversacionais, eles não podem ser totalmente apresentados no ensaio, mas que numa perspectiva geral eles se dividem em:
1- marcadores de hesitação ? ah, eh ahn
, pausas e alongamentos;
2- marcadores de teste de participação ou busca do apoio ? sabe? né? certo?

3- marcadores de atenuação da atitude do falante ? eu acho que

4- marcadores de apoio/monitoramento do ouvinte ? ahn ahn uhn sei

Sendo que os marcadores podem ser utilizados tanto pelo falante (1,2 e 3) quanto pelo ouvinte (4), demonstrando a versatilidade dos marcadores conversacionais.


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