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LIVRO DIDÁTICO DE LÍNGUA PORTUGUESA: A FAVOR OU CONTRA?



O texto consiste em uma entrevista, na qual Ezequiel Theodoro da Silva (FE/UNICAMP) faz perguntas dirigidas a João Wanderley Geraldi (IEL/UNICAMP) sobre a utilização de livros didáticos nas escolas brasileiras.
Na primeira pergunta, Ezequiel questiona a postura fortemente marcada contra a adoção de livros didáticos por parte de Garaldi e este começa a responder explicando sua concepção de ?livro didático? que, para ele, é um livro com conteúdos idealizados a serem utilizados por professores muitas vezes não capacitados e destinados a alunos homogeneamente idealizados, o que ele considera totalmente irreal.
Seguindo suas justificativas para a não-adoção dos livros didáticos, Geraldi apresenta 3 razões para tal: a alienação
, que segundo ele, impede o professor de exercer seu trabalho de maneira correta ao preparar seu próprio material levando em consideração todas as particularidades dos alunos envolvidos no processo de ensino-aprendizagem, além de limita-lo apenas aos conteúdos e presos às seqüências propostas ali; a predeterminação,
que unifica sob um único material uma grande parcela de alunos com inúmeras variantes que mereceriam um tratamento diferenciado para os diferentes temas abordados; a falsificação
, que tira o real trabalho do professor de ensinar, sem contudo atingir os objetivos que se espera com os alunos, além de proporcionar agravantes como os péssimos resultados que comprovam a má qualidade da educação e o desestímulo dos profissionais da área.
Geraldi ressalta também que a massificação da distribuição de livros didáticos vem mascarar a preocupante situação da educação, pois com a adoção dos livros, supostamente o trabalho do professor, assim como o próprio processo de ensino e aprendizado, seria facilitado, mas o que se vê é, na verdade, a falta de preocupação em preparar aulas realmente válidas por parte dos professores, e um ?emburrecimento? por parte dos alunos em decorrência da mecanização do processo.
Na segunda pergunta, Ezequiel questiona o fato de existirem diferenças entre livros didáticos sérios e bem fundamentados teoricamente e outros apenas com fins comerciais, perguntando se Geraldi considera ambos da mesma maneira.
Ao responder esta pergunta, Geraldi reconhece haver livros muitos bem fundamentados, mas mantém sua postura de não adoção, justificando que, embora as intenções desses autores sejam boas, assim como muitas das concepções apresentadas em seus livros didáticos, o efeito final é o mesmo.
Tais livros, apesar de bem fundamentados, acabam gerando a alienação, a predeterminação e a falsificação, pois mesmo atividades boas e bem planejadas podem não ser tão produtivas em todas as salas de aula, com todos os alunos que entrarem em contato com elas. Mesmo livros didáticos considerados bons podem cercear a atuação do professor, limitando assuntos que poderiam ser melhor explorados, caso o professor mantivesse sua autonomia.
Na terceira pergunta, Ezequiel levanta a questão do livro didático ser visto com um meio e não como um fim em si, e que portanto, errada é a utilização que se vem fazendo dele.
Geraldi rebate esta questão ao afirmar que ?um meio nunca é neutro em relação ao seu uso? e que, portanto, ele é preparado visando determinadas seqüências a serem trabalhadas e por isso não fogem das justificativas já apresentadas por ele para explicar sua postura contrária à presença dos livros didáticos nas salas de aula.
Reforçando seu ponto de vista, Geraldi acrescenta que para melhorar as condições de ensino e aprendizagem no país é necessário um sério questionamento das posturas reproduzidas em sala de aula e, principalmente, da utilização do livro didático como cânone indiscutível, em contraposição a reflexões necessárias para o planejamento das aulas por parte dos professores.
Para finalizar a entrevista, Ezequiel lança a quarta e última pergunta, questionando o problema da falta de acesso a livros diversos que muitas vezes fazem os professores terem que recorrer aos livros didáticos.
Esta pergunta também respondida de maneira muito direta e forte por Geraldi que responsabiliza a má formação dos professores que buscam nos livros didáticos ?muletas pedagógicas? para a realização de seu trabalho. Isto somado a falta de acesso a livros, de ficção ou não, e as condições pouco favoráveis muitas vezes encontradas nas escolas é um dos grandes responsáveis pela atual situação da educação no Brasil.
Geraldi reforça ainda a importância da formação contínua do professor que deve saber lidar e contornar problemas como a falta de livros fazendo uso, por exemplo, de jornais, revistas ou outros materiais que venham a contribuir para sua aula, preparando ele mesmo o material a seu utilizado com seus alunos.Escreva seu resumo aqui..


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