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Velha? aos vinte anos...



A velocidade com que as coisas mudam às vezes assusta. Ilustração dessa velocidade é o verdadeiro abismo que se instala entre as gerações quanto o assunto é, por exemplo, linguagem. O que era ?maneiro? quando nossos pais eram jovens, hoje é ?da hora? (se bem que ?da hora? era no meu tempo, hoje ?da hora? já não é mais tão ?da hora? assim...). Quem era ?broto? na década de 70 (provavelmente já até virou raiz, mas esse é um outro tipo de mudança...), hoje é ?gatinha?.
A gíria é um assunto muito discutido atualmente. Em geral, jovens estão de um lado defendendo com ?unhas e dentes? seus direitos de expressarem-se como bem quiserem, e do outro lado estão pais, professores e puristas da língua que se descabelam com o que estes últimos por vezes denominam de ?corrupção da língua?.
Uma visão menos obtusa e preconceituosa da situação mostra que, ao invés de ?corrupção da língua?, o fenômeno lingüístico da gíria é, na verdade, uma das ?riquezas da língua?. Estudos mostram que a gíria pode ser vista e analisada sob dois aspectos, a gíria de grupo
e a gíria comum.

A gíria de grupo permite que indivíduos identifiquem-se por meio da linguagem, como se houvesse entre eles um código secreto em que só os iniciados conseguem se comunicar. A utilização desse código é tão freqüente que, respeitadas as devidas diferenças, poderia ser comparada até ao jargão técnico de algumas profissões.
Ao mesmo tempo em que adolescentes que freqüentam assiduamente shoppings (?pattys?) falam coisas como: ?E ai fofis
? Tudo sussu
??; jornalistas conversando entre si podem muito bem soltar algo do tipo: ?O lide
e o info
estão bons, mas o furo
não está claro?.
Alguns leitores podem compreender a situação das garotas no shopping sem precisar de uma ?tradução? e ao mesmo tempo não entender ?bulhufas?
da conversa entre os jornalistas. Com outros leitores a situação pode se inverter: entendem o jargão jornalístico e ?bóiam
? no ?papo da moçada?.
Alguém mais ?antenado?
pode até compreender perfeitamente as duas situações, enquanto alguém ?offline?
pode se perder nas duas, e tudo isso depende unicamente de tipo de interação social que o indivíduo em questão tem com esses grupos.
Como já foi dito, a gíria é identidade de um grupo, e não há divisão maior desses grupos do que a entre ?jovens? e ?adultos?. Porém, embora esta seja a maior, de maneira nenhuma é a única.
Enquanto jovens se subdividem em grupos, turmas ou ?tribos?, os adultos se agrupam em categorias profissionais, e cada um deles estabelece um tipo de linguagem própria para determinar seu convívio social.
As gírias largamente usadas pela maioria dos jovens podem vir dos mais diferentes lugares, desde línguas estrangeiras até de termos técnicos, começam com um ?inovador? e depois de aceita pelos companheiros acaba se ?alastrando?. Como, mesmo divididos em grupos, jovens não costumam se isolar em casulos, membros de diferentes grupos mantêm contato entre si e por vezes as gírias se misturam, surgindo assim o fenômeno da gíria comum.
Tentar falar tudo sobre gíria seria um absurdo, as possibilidades e variações são tantas que seria preciso um trabalho mais específico para dar conta. A pretensão aqui é bem mais humilde: como uma gíria de grupo, relativa a um grupo específico de jovens acaba se ?espalhando? e se propagando entre outros grupos e se tornando gíria comum.
Caso desses aconteceu com ?velho?
. No nada distante tempo em que eu freqüentava o Ensino Fundamental existia a versão ?véio?
, mas nem de longe era uma ?gíria geral?. ?Véio?
era gíria de um grupo específico, aquele do qual os garotos costumavam andar com calças extremamente largas, com os cavalos no joelho, cuecas de fora e boné, ou seja, os ?manos?
.
Assim como hoje o próprio boné não está mais restrito, também ?véio?
, não se limita mais a este grupo específico. Prova disso é minha irmã, membro quase honorário do grupo de ?freqüentadoras de shopping?, usa. Usa ?velho?
, mas usa.
E quem é ?velho?
? Todo mundo pode ser velho. Inclusive uma pessoa jovem. Não é pejorativo ser chamado de ?velho?
, não é o mesmo que ser chamado de ?quadrado?, como diriam nossos pais, ou de ?retrógrado?, como adorariam nossos professores.
?Velho?
não faz distinção entre sexos. Um homem pode ser ?velho?
, um menino pode ser ?velho?
, e por incrível que pareça, uma mulher, por mais jovem que seja, também pode ser ?velho?.

O contrário também acontece quando, por exemplo, uma gíria é tão usada por determinada geração que acaba sendo incorporada ao vocabulário da geração seguinte perdendo o status de gíria e passando a fazer parte do léxico da língua, sendo até admitida em situações formais e na língua escrita.
Numa metáfora simples a gíria poderia sem comparada com calça xadrez de cintura alta ou a uma blusa de babados e bolinhas coloridas, usados na época e lugar certos essas peças seriam parte da moda, sem causar estranheza, riso ou preconceito, mas se o lugar ou o tempo estiverem deslocados... ?mico?
na certa!Escreva seu resumo aqui..


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